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São Paulo

Investigação atinge 12 de 22 empresas de ônibus em SP e passageiros enfrentam lotação

Operação do MPSP aponta envolvimento do PCC com empresas que operam na periferia; usuários relatam atrasos, ônibus quebrados e viagens na escada.

Imagem mostra ônibus na zona sul de São PauloFoto: William Cardoso/Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
28 de setembro de 202602:50
Atualizado agora há pouco às 05:50

A Operação Vectura Corrupta, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) com apoio da Polícia Civil, revelou que 12 das 22 empresas que operam o sistema municipal de ônibus da capital paulista têm ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Todas as companhias investigadas atuam em bairros da periferia, onde os passageiros convivem diariamente com veículos lotados, intervalos longos e ônibus que quebram no meio do trajeto.

A investigação levou à prisão do ex-presidente da Câmara Municipal Milton Leite (União), um dos principais aliados do prefeito Ricardo Nunes (MDB). A operação também resultou em medidas contra dirigentes das empresas envolvidas.

Segundo dados do próprio sistema, as empresas investigadas integram o grupo de distribuição, responsável por atender principalmente as regiões periféricas. Em agosto, elas transportaram cerca de 73 milhões de passageiros, o equivalente a 41% do total de 177 milhões registrados no mês.

Especialistas ouvidos na apuração avaliam que somente descontrole ou uma postura de «cegueira deliberada» explicaria o fato de a prefeitura não ter identificado antes a atuação do crime organizado dentro das empresas. A gestão municipal afirma que a frota é proporcional à demanda e que colabora com as investigações.

Um dos casos citados é o da Transwolf, que nega irregularidades e opera em lotes sob intervenção da prefeitura desde 2024. Mesmo sob comando da administração municipal, a qualidade do serviço prestado pelos ônibus ainda identificados com a marca da companhia não apresentou melhora, conforme constatado em reportagens ao longo dos últimos dois anos.

O coletor Edmar Olímpio, de 37 anos, mora no Grajaú e trabalha na Vila das Belezas, ambos na zona sul. Ele acorda às 5h todos os dias. Na terça-feira (25/9), por volta das 18h30, tentava embarcar em um ônibus com a logo da Transwolf na Avenida Dona Belmira Marin, no retorno para casa. Viajou na escada, espremido pela porta.

«Ontem, estava pior. Passavam 10 ônibus e nenhum parava», relatou o passageiro. A situação se repete em outros bairros da mesma região, o que obriga os usuários a buscar alternativas para conseguir chegar ao destino.

O cenário de superlotação e atrasos se arrasta há anos e afeta principalmente quem depende do transporte público para trabalhar. A investigação sobre a infiltração do crime organizado nas empresas de ônibus adiciona uma camada de complexidade ao problema, que envolve fiscalização, contratos e a qualidade do serviço prestado à população.

A prefeitura de São Paulo informou que a frota é compatível com a demanda e que presta auxílio às apurações. O MPSP e a Polícia Civil seguem com as diligências para apurar o envolvimento das empresas e de agentes públicos no esquema.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/sistema-de-onibus-sob-investigacao-em-sp-segue-caotico-para-passageiros

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