A Secretaria Municipal de Agricultura e Segurança Alimentar de Mogi das Cruzes realizou, na última quinta-feira (28), uma palestra técnica voltada a produtores rurais, feirantes e estudantes sobre o greening, doença considerada uma das mais graves para a citricultura mundial. O encontro aconteceu em um momento em que o Governo de São Paulo publicou novas regras para prevenção e controle da enfermidade.
Durante o evento, o engenheiro agrônomo Julio Toshio Nagase, do Escritório de Defesa Agropecuária (EDA) de Mogi das Cruzes, apresentou as principais mudanças trazidas pela Resolução SAA nº 32/2026. A norma atualiza os procedimentos de vigilância fitossanitária e reforça a necessidade de monitoramento constante do psilídeo, inseto vetor da bactéria causadora do greening.
Nagase destacou que a comercialização irregular de mudas sem inspeção é uma das principais portas de entrada da doença nos pomares. Por isso, os produtores foram orientados a adquirir apenas mudas certificadas, de fornecedores cadastrados junto à Defesa Agropecuária, e a utilizar substrato comercial no lugar de terra comum, medida que reduz riscos de contaminação.
O palestrante também explicou que o greening, também conhecido como Huanglongbing (HLB), não tem cura. A prevenção e o manejo adequado são as únicas formas de evitar prejuízos econômicos. Ele lembrou que o Brasil é o maior produtor e exportador mundial de suco de laranja, setor que movimenta cerca de R$ 15 bilhões por ano e gera entre 200 mil e 300 mil empregos diretos e indiretos.
Entre os sintomas da doença estão manchas amareladas nas folhas, deformação dos frutos e queda precoce. Pomares com mais de 28% de incidência podem comprometer plantações vizinhas, exigindo medidas rigorosas de controle e eliminação de plantas doentes. O monitoramento deve ser feito quinzenalmente, especialmente nos brotos e copas, locais preferidos do psilídeo.
A nova resolução estadual também altera as regras para erradicação de plantas contaminadas. Em municípios de alta incidência, a eliminação compulsória deixa de ser obrigatória para árvores adultas, permanecendo exigida apenas para plantas com até três anos. Já nas cidades de baixa incidência, a erradicação continua obrigatória independentemente da idade. Além disso, o transporte interestadual de frutas cítricas passa a exigir processamento e escovação para eliminar possíveis vetores.
O secretário municipal de Agricultura e Segurança Alimentar, Renato Abdo, ressaltou a importância da informação e da conscientização dos produtores. “Nosso objetivo é ampliar a orientação técnica e reforçar a conscientização sobre a prevenção. O greening representa uma ameaça séria à citricultura e o enfrentamento depende de vigilância sanitária, responsabilidade coletiva e ações permanentes de monitoramento”, afirmou.
A iniciativa faz parte das ações contínuas da Secretaria para fortalecer a produção agrícola local, proteger a fitossanidade e orientar tecnicamente os produtores rurais da região. A palestra também contou com a participação de permissionários do Mercado Municipal e alunos da Fatec, ampliando o alcance das informações sobre a doença e as novas medidas de controle.
Fonte de referência: www.mogidascruzes.sp.gov.br — https://www.mogidascruzes.sp.gov.br/noticia/palestra-alerta-produtores-rurais-sobre-riscos-do-greening-e-reforca-novas-medidas-estaduais-de-controle-da-doenca-1


