UrgenteDenúncias de abusos em centro migratório turco reacendem debate sobre morte de brasileiro
← Voltar

Esmirna

Denúncias de abusos em centro migratório turco reacendem debate sobre morte de brasileiro

Jornais da oposição e a Ordem dos Advogados de Esmirna relatam violações no Centro de Remoção de Harmandalı, onde o brasileiro Lucas Nascimento de Medeiros foi detido antes de ser dado como morto.

Brasileiro morre na Turquia após ser detido em centro de migração. Imagem cedida ao Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
15 de outubro de 202607:16
Atualizado há 36 minutos às 10:16

A morte do empresário brasileiro Lucas Nascimento de Medeiros, de 33 anos, voltou a colocar sob holofotes o Centro de Remoção de Harmandalı, unidade migratória em Esmirna, na Turquia. Ele foi detido entre as madrugadas de 5 e 6 de outubro e, na segunda-feira (12/10), foi dado como morto pelo Consulado Brasileiro em Istambul.

Segundo relatos de veículos turcos de oposição ao governo de Recep Tayyip Erdoğan, o local acumula denúncias de maus-tratos e violações de direitos humanos. A Ordem dos Advogados de Esmirna é uma das entidades que acompanham o caso e apresentam relatórios periódicos sobre as condições da unidade.

Em julho deste ano, a Ordem dos Advogados divulgou novos documentos e registros sobre violações no centro de deportação. De acordo com os advogados, chamam atenção a negação de acesso a cuidados de saúde, condições de higiene inadequadas e práticas prolongadas de detenção administrativa. Os relatos foram feitos por funcionários da instituição.

A entidade também apontou escassez de água, surtos de sarna e outras doenças infecciosas semelhantes, além de materiais de limpeza insuficientes. As condições de vida teriam piorado com a superlotação da unidade, projetada para um número menor de detentos do que o registrado em anos anteriores.

Ainda conforme a Ordem dos Advogados, a Constituição turca proíbe a tortura e os maus-tratos. A entidade afirmou que continuará acompanhando as denúncias sobre o Harmandalı «para proteger a dignidade humana e garantir o cumprimento das exigências do Estado de Direito».

O histórico de denúncias não é recente. Em 2021, o jornal Artı Gerçek noticiou a morte de um refugiado sírio de 21 anos em um incêndio no quinto andar do centro. Na ocasião, a publicação destacou que a unidade já era palco frequente de alegações de maus-tratos e tortura contra refugiados.

Antes disso, os veículos Bianet e Artı Gerçek haviam publicado relatos sobre espancamentos, tentativas de óbito, doenças e mortes no Harmandalı. As denúncias foram endossadas, à época, pelo então membro do parlamento de Esmirna Murat Bakan, atualmente na Grande Assembleia Nacional da Turquia pelo Novo Partido (Yeni Parti), de oposição ao governo.

Em 2019, o portal Bianet afirmou que 1.500 pessoas estavam detidas em um espaço projetado para 750. A superlotação, segundo as reportagens, agrava as condições sanitárias e de assistência médica no local.

Procurado, o Consulado Brasileiro em Istambul confirmou a morte de Lucas Nascimento de Medeiros, mas não detalhou as circunstâncias. A família do brasileiro aguarda esclarecimentos sobre o caso e sobre a versão apresentada pelas autoridades turcas.

A morte do brasileiro reacende o debate sobre as condições dos centros de detenção migratória na Turquia e a responsabilidade das autoridades locais na proteção de estrangeiros sob custódia.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/imprensa-turca-morte-brasileiro

TurquiaImigraçãoDireitos HumanosBrasileiro no exteriorEsmirnaia-auto