Um antigo funcionário da empresa Entre Cordas, responsável por atividades de rope jump, afirmou que uma das sócias pediu a exclusão de um vídeo gravado durante o acidente que matou a jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 19 anos. O caso ocorreu no dia 13 de junho, em Limeira, interior de São Paulo.
Gustavo Lozzi, que trabalhou na companhia, disse em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, que ouviu a ordem diretamente de Eveliyne dos Santos, apontada pela polícia como uma das responsáveis pela organização do salto. Segundo ele, a frase foi: “Gustavinho, traz essa câmera, a gente precisa apagar o vídeo”.
A câmera estava presa ao braço de Maria Eduarda para registrar a descida. Até o momento, o equipamento não foi encontrado, e os investigadores consideram o material uma peça-chave para entender a dinâmica da queda. A polícia já indiciou Eveliyne dos Santos pelo ocorrido.
Lozzi afirmou que não presenciou ninguém retirando a câmera das mãos da vítima. Outros funcionários ouvidos no inquérito negaram ter mexido no dispositivo ou ocultado as imagens. No entanto, testemunhas relataram ter escutado orientações para recuperar o aparelho e apagar as gravações.
O sumiço da câmera, aliado à desativação de um perfil em rede social relacionado à atividade, é visto pela polícia como indício de possível tentativa de ocultar provas. A defesa de Eveliyne dos Santos afirmou discordar do indiciamento e disse que apresentará seus argumentos no momento adequado.
Três meses antes da morte de Maria Eduarda, um menino de 9 anos já havia se envolvido em um acidente durante a prática de rope jump na mesma ponte. Na ocasião, houve uma falha no sistema de debreagem, que controla a liberação da corda. O garoto sofreu ferimentos leves.
Gustavo Lozzi, que também participou daquele salto, contou que pulou logo atrás da criança e só percebeu o problema quando o menino já estava no chão. O pai do garoto, que trabalhava na empresa na época, disse em depoimento que o filho caiu e ralou o joelho, afirmando que “o tio me soltou rápido demais”.
A delegada Andreia Levy, responsável pelo inquérito, afirmou que a empresa não tomou medidas para reforçar a segurança após o primeiro incidente. “Na minha percepção, assumiram o risco do resultado”, declarou. Maria Eduarda caiu de uma altura de aproximadamente 40 metros na trilha da Ponte do Esqueleto. O Corpo de Bombeiros confirmou a morte no local, e o caso foi registrado como homicídio no 3º DP de Limeira.
Fonte de referência: O Segredo: Notícias, Relacionamentos, Espiritualidade e Bem-Estar — https://osegredo.com.br/noticias/funcionario-ordem-dona-rope-jump


