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Sao Paulo

Lula deve manter comunicação direta pelas redes sociais no quarto mandato, avaliam aliados

Auxiliares do presidente apostam que a estratégia adotada no segundo turno, com vídeos e lives, será incorporada ao novo governo para aproximar o petista da população.

Presidente Lula e deputado federal André Janones. Ricardo Stuckert
RN
Raphael Nogueira Felix
1 de novembro de 202607:17
Atualizado agora há pouco às 10:17

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu do segundo turno das eleições de 2026 com uma lição que seus aliados esperam ver refletida em seu quarto mandato: a importância de manter uma comunicação mais direta e frequente com a população por meio das redes sociais. A avaliação é que parte das mudanças adotadas durante a campanha eleitoral deve ser preservada na nova gestão.

Entre as iniciativas que podem ser mantidas estão o contato mais próximo de Lula com os eleitores pelas plataformas digitais e a realização de transmissões ao vivo. A aposta de auxiliares é que o presidente incorpore esse modelo de comunicação como parte da rotina do governo, e não apenas como ferramenta eleitoral.

Um dos articuladores dessa mudança foi o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT). Um dia após Flávio Bolsonaro (PL) abrir vantagem no primeiro turno, Fonteles sugeriu que Lula passasse a gravar vídeos em formato selfie para as redes sociais. Inicialmente, o presidente resistiu à ideia e argumentou que não abandonaria a política de rua. A resistência, no entanto, durou pouco.

Lula aderiu ao formato e, segundo aliados, percebeu rapidamente a resposta positiva do público. Para integrantes da campanha, o presidente compreendeu que seu poder de convencimento e sua capacidade de comunicação também precisavam passar pelo ambiente digital. A leitura é que as redes se tornaram uma ferramenta para recuperar um vínculo direto com parte da população que havia se perdido nos últimos anos.

«O velho finalmente entendeu o que a gente fala para ele desde 2023», resumiu um aliado de primeira hora à coluna Igor Gadelha, do Metrópoles.

Auxiliares relatam que Lula ficou entusiasmado com o acolhimento que recebeu nas redes sociais. Somada às mobilizações nas ruas, essa resposta no ambiente digital deu mais resiliência ao presidente durante a disputa do segundo turno e ajudou a mostrar como as duas frentes podem caminhar juntas.

Na reta final da campanha, Fonteles presenteou Lula com um celular. O presidente passou a usar o aparelho para enviar áudios e vídeos ao canal «Exército do Lula», criado pelo deputado André Janones (Rede-MG) como ferramenta de mobilização digital. Em uma live com Janones a poucos dias da eleição, o deputado chegou a pedir desculpas a Lula por ele ter que disputar um segundo turno contra o que chamou de um «adversário desqualificado».

A resposta do presidente mostrou que a resistência inicial às redes já havia dado lugar a certa empolgação com a experiência. «Eu, Janones, na verdade, estou até gostando, porque agora eu descobri duas coisas: as pessoas me chamam de fofinho. Quem é que não quer ser fofinho?», brincou Lula.

Em seu discurso após a vitória, Lula afirmou que fará o povo participar das decisões e prometeu que a comunicação digital terá um espaço muito grande em seu governo. A expectativa dos aliados é que essa promessa se traduza em uma presença mais constante do presidente nas plataformas, com transmissões ao vivo e contato direto com os eleitores.

Fonte de referência: Metrópoles — https://metropoles.com/colunas/igor-gadelha/a-licao-das-redes-que-lula-deve-levar-para-o-quarto-mandato

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