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Sao Paulo

Mãe de bebê morto após cirurgia cardíaca em hospital de SP relata negligência e cobra apuração

Bruna Freitas de Oliveira afirma que o filho, de pouco mais de um ano, foi negligenciado no Hospital Salvalus, na Mooca; certidão de óbito aponta sepse e complicações pós-cirúrgicas. Unidade é alvo de inquérito da Polícia Civil.

"Sempre negligenciaram meu filho", diz mãe de bebê morto em hospital de SP. Imagem cedida ao Metrópoles
RN
Raphael Nogueira Felix
1 de novembro de 202604:59
Atualizado agora há pouco às 09:59

A morte do menino Marcos Lucca Freitas de Almeida, de pouco mais de um ano, no Hospital Salvalus, na Mooca, zona leste de São Paulo, é alvo de denúncia feita pela mãe da criança. Bruna Freitas de Oliveira relata que o filho foi internado para uma cirurgia cardíaca em agosto do ano passado e não resistiu, vindo a óbito em 10 de setembro, na UTI pediátrica. A certidão de óbito indica sepse e «distúrbios subsequentes a cirurgia cardíaca».

Segundo Bruna, o filho nasceu em 17 de julho de 2024 com uma condição cardíaca que só foi diagnosticada aos sete meses. O quadro exigia intervenção cirúrgica, e o menino foi encaminhado ao Hospital Salvalus, unidade que integra a rede NotreDame Intermédica HapVida. Por estar abaixo do peso, a equipe médica optou por aguardar até que ele completasse um ano.

A mãe contesta a condução do caso e afirma que o filho recebeu dieta à qual era alérgico antes de falecer. «Sempre negligenciaram meu filho de todas as formas», declarou Bruna ao Metrópoles. Ela também relata que, nas primeiras 48 horas após a operação, o bebê apresentou complicações, como um caroço, e que a equipe médica demorou a prestar atendimento.

O Hospital Salvalus é alvo de inquérito da Polícia Civil de São Paulo que apura mortes recentes de bebês na unidade. A investigação busca esclarecer as circunstâncias dos óbitos e verificar possíveis falhas no atendimento. A reportagem procurou a direção do hospital e a rede HapVida para comentar as acusações, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.

De acordo com o relato da mãe, a cirurgia ocorreu em 8 de agosto do ano passado, um dia após a internação. O bebê completara um ano em 17 de julho. «Eu vou te falar exatamente as palavras que o cardiologista dele me falou quando ele ia operar: ‘eu vou deixar ele ficar em casa para comemorar um aninho, porque eu acho muita judiação ele não passar o aniversário com vocês’», contou Bruna.

A certidão de óbito aponta sepse e complicações decorrentes do procedimento cirúrgico como causas da morte. A sepse é uma resposta inflamatória grave do organismo a uma infecção, que pode levar a falência de órgãos. A mãe sustenta que houve negligência no cuidado pós-operatório e na administração de alimentos inadequados à condição da criança.

O caso de Marcos Lucca se soma a outras mortes de bebês investigadas na mesma unidade. A Polícia Civil apura se há relação entre os óbitos e possíveis irregularidades no atendimento. A denúncia da mãe foi feita em meio à apuração policial, que segue em sigilo.

A reportagem tentou contato com o Hospital Salvalus e com a NotreDame Intermédica HapVida para obter posicionamento sobre as acusações. Até o fechamento desta edição, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestações.

Bruna Freitas de Oliveira cobra justiça e afirma que o filho teve o direito à vida negligenciado. «Sempre negligenciaram meu filho de todas as formas», repetiu. Ela espera que a investigação esclareça as responsabilidades e que outras famílias não passem pela mesma situação.

A morte de Marcos Lucca ocorreu pouco mais de um mês após a cirurgia. O caso segue sob investigação da Polícia Civil de São Paulo, que não divulgou detalhes sobre o andamento do inquérito. A família aguarda respostas e pretende acompanhar as apurações.

Fonte de referência: São Paulo – Metrópoles — https://metropoles.com/sao-paulo/sempre-negligenciaram-meu-filho-diz-mae-de-bebe-morto-em-hospital-de-sp

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