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Sao Paulo

MPT aciona empresário por orientar no Instagram que empresas não contratem eleitores de esquerda

Publicação feita no segundo turno das eleições motivou ação civil pública com pedido de retratação e indenização de R$ 100 mil por danos morais coletivos.

mpt assedio eleitoral spFoto: Reprodução/MPT-SP
RN
Raphael Nogueira Felix
1 de novembro de 202607:13
Atualizado agora há pouco às 10:13

O Ministério Público do Trabalho (MPT) em São Paulo ajuizou ação civil pública contra o empresário Daniel Favaro, de Porto Feliz, no interior paulista, por incentivar a discriminação política no mercado de trabalho. A medida foi motivada por uma postagem feita no Instagram no dia 25 de outubro, data do segundo turno das eleições presidenciais, na qual ele orientava empresários a não contratarem pessoas identificadas como «esquerdistas».

Segundo o MPT, a mensagem publicada pelo empresário dizia: «Uns vão rodar, bando de vagabundo. Não contrate esquerdista para sua empresa já que eles odeiam empresários». A publicação levou à abertura de um inquérito no órgão ministerial.

Na ação, o procurador do Trabalho Gustavo Rizzo Ricardo sustenta que a postagem extrapolou o direito à livre manifestação de pensamento ao pregar perseguição profissional e criar um clima de intimidação. O MPT argumenta que a Constituição Federal, as convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Lei nº 9.029/1995 proíbem expressamente o uso de convicções ideológicas como critério para contratação ou demissão.

A procuradoria destacou que a atuação judicial independe da ocorrência de demissões concretas, pois o objetivo é prevenir danos aos trabalhadores e aos candidatos a vagas de emprego. O órgão pediu à Justiça, em caráter liminar, a retirada da postagem em 48 horas e a publicação de uma retratação no próprio perfil, mantida por pelo menos 10 dias.

Para garantir o cumprimento da decisão, o MPT solicitou multas de R$ 1 mil por dia de atraso e de R$ 5 mil a cada nova mensagem considerada discriminatória. Como condenação definitiva, a ação requer o pagamento de R$ 100 mil em indenização por danos morais coletivos.

A reportagem não localizou o perfil de Daniel Favaro apontado pela procuradoria, o que indica que a página foi desativada. Também não foram encontradas outras formas de contato com o empresário para solicitar manifestação sobre o caso. O espaço permanece aberto.

De acordo com o MPT, o processo tramita na Justiça do Trabalho e aguarda decisão liminar, assegurado o direito de defesa do acusado. A ação reforça o entendimento de que escolhas políticas não podem prejudicar o acesso e a permanência no emprego.

O caso ocorre em um contexto de crescente debate sobre assédio eleitoral e discriminação política no ambiente de trabalho, tema que tem mobilizado o Ministério Público do Trabalho em diferentes regiões do país.

Fonte de referência: São Paulo – Metrópoles — https://metropoles.com/sao-paulo/nao-contrate-esquerdista-homem-e-alvo-do-mpt-por-discriminacao-politica

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