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Governo de SP nega cortes em bolsas da Fapesp após protesto de pesquisadores

Tarcísio de Freitas afirmou que repasses serão mantidos, mas novas regras para bolsas no exterior geram reação da comunidade acadêmica.

Tarcísio fapesp corte bolsas negaFoto: Divulgação/Paulo Guereta - Governo do Estado SP
Raphael Nogueira Felix
28 de agosto de 202614:15
Atualizado agora há pouco às 17:15

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), negou nesta sexta-feira (28/8) que haja cortes nas bolsas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A declaração foi dada durante agenda em Amparo, no interior paulista, dois dias após o governo estadual anunciar mudanças nas regras de um dos programas de bolsas.

Tarcísio afirmou que os repasses financeiros à fundação serão mantidos e que as bolsas não correm risco de serem interrompidas. «Primeiro, não vai haver corte nenhum de bolsa da Fapesp. A gente vai garantir, como a gente tem garantido, os repasses financeiros», disse o governador, que também é candidato à reeleição.

A polêmica começou quando a Fapesp divulgou novas diretrizes para as Bolsas de Estágio de Pesquisa no Exterior (Bepe). A partir de 1º de setembro, apenas alunos de doutorado direto, doutorado e pós-doutorado poderão solicitar o benefício, excluindo estudantes de iniciação científica e mestrado. Além disso, o período máximo de doutorado internacional foi reduzido de um ano para seis meses.

A medida gerou reação imediata de estudantes e pesquisadores de instituições como USP, Unicamp e Unesp. A comunidade acadêmica classificou a mudança como um «grave retrocesso para a formação científica paulista» e organizou protestos contra a decisão. A Associação de Docentes da Unesp (Adunesp) também lançou um abaixo-assinado que já ultrapassou 15 mil assinaturas, pedindo a reversão das novas regras antes de sua entrada em vigor.

Em sua fala, Tarcísio buscou minimizar a controvérsia e garantiu que o governo estadual manterá o repasse de recursos. «A gente tem um valor vinculado, atrelado à nossa receita, e isso vai ser mantido. E isso vai garantir também a imunidade da bolsa. Não há risco de corte de bolsa, a gente garante que elas vão ser mantidas na sua integralidade», afirmou.

Especialistas apontam que a decisão pode impactar a formação de jovens cientistas e a cooperação internacional, já que muitos estudantes utilizam a Bepe para complementar sua formação em instituições no exterior. A redução do tempo de doutorado internacional também é vista como um fator que pode diminuir a qualidade da experiência acadêmica.

Até o momento, a Fapesp não se manifestou oficialmente sobre o abaixo-assinado ou sobre a possibilidade de revisar as novas regras. A pressão da comunidade científica, no entanto, deve aumentar nas próximas semanas, com novas mobilizações e debates públicos sobre o futuro do financiamento à pesquisa no estado.

O governador, por sua vez, seguiu sua agenda no interior e não detalhou como serão aplicadas as mudanças, limitando-se a afirmar que os recursos estão garantidos. A declaração, no entanto, não acalmou os pesquisadores, que esperam uma revisão concreta das medidas anunciadas.

A situação coloca em evidência o debate sobre o investimento em ciência e tecnologia no estado, que é um dos principais polos de pesquisa do país. A comunidade acadêmica promete manter a mobilização até que haja uma solução que atenda aos interesses da formação científica paulista.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/apos-protesto-de-pesquisadores-tarcisio-nega-cortes-na-fapesp

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