O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), negou nesta sexta-feira (28/8) que haja cortes nas bolsas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A declaração foi dada durante agenda em Amparo, no interior paulista, dois dias após o governo estadual anunciar mudanças nas regras de um dos programas de bolsas.
Tarcísio afirmou que os repasses financeiros à fundação serão mantidos e que as bolsas não correm risco de serem interrompidas. «Primeiro, não vai haver corte nenhum de bolsa da Fapesp. A gente vai garantir, como a gente tem garantido, os repasses financeiros», disse o governador, que também é candidato à reeleição.
A polêmica começou quando a Fapesp divulgou novas diretrizes para as Bolsas de Estágio de Pesquisa no Exterior (Bepe). A partir de 1º de setembro, apenas alunos de doutorado direto, doutorado e pós-doutorado poderão solicitar o benefício, excluindo estudantes de iniciação científica e mestrado. Além disso, o período máximo de doutorado internacional foi reduzido de um ano para seis meses.
A medida gerou reação imediata de estudantes e pesquisadores de instituições como USP, Unicamp e Unesp. A comunidade acadêmica classificou a mudança como um «grave retrocesso para a formação científica paulista» e organizou protestos contra a decisão. A Associação de Docentes da Unesp (Adunesp) também lançou um abaixo-assinado que já ultrapassou 15 mil assinaturas, pedindo a reversão das novas regras antes de sua entrada em vigor.
Em sua fala, Tarcísio buscou minimizar a controvérsia e garantiu que o governo estadual manterá o repasse de recursos. «A gente tem um valor vinculado, atrelado à nossa receita, e isso vai ser mantido. E isso vai garantir também a imunidade da bolsa. Não há risco de corte de bolsa, a gente garante que elas vão ser mantidas na sua integralidade», afirmou.
Especialistas apontam que a decisão pode impactar a formação de jovens cientistas e a cooperação internacional, já que muitos estudantes utilizam a Bepe para complementar sua formação em instituições no exterior. A redução do tempo de doutorado internacional também é vista como um fator que pode diminuir a qualidade da experiência acadêmica.
Até o momento, a Fapesp não se manifestou oficialmente sobre o abaixo-assinado ou sobre a possibilidade de revisar as novas regras. A pressão da comunidade científica, no entanto, deve aumentar nas próximas semanas, com novas mobilizações e debates públicos sobre o futuro do financiamento à pesquisa no estado.
O governador, por sua vez, seguiu sua agenda no interior e não detalhou como serão aplicadas as mudanças, limitando-se a afirmar que os recursos estão garantidos. A declaração, no entanto, não acalmou os pesquisadores, que esperam uma revisão concreta das medidas anunciadas.
A situação coloca em evidência o debate sobre o investimento em ciência e tecnologia no estado, que é um dos principais polos de pesquisa do país. A comunidade acadêmica promete manter a mobilização até que haja uma solução que atenda aos interesses da formação científica paulista.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/apos-protesto-de-pesquisadores-tarcisio-nega-cortes-na-fapesp

