O médico José Luiz Nora Neto, conhecido como Dr. Nora Neto, divulgou nesta quarta-feira (28) um vídeo em que afirma nunca ter sido favorável a uma «caça às bruxas» em relação à sua publicação anterior nas redes sociais. O conteúdo, que havia sido excluído, sugeria que empresários demitissem funcionários que votaram no Partido dos Trabalhadores (PT) nas eleições presidenciais.
A postagem original, feita horas após a votação de domingo (25), dizia: «Empresário, olha a rede social do teu funcionário aí e confere se ele fez o ‘L’. Acho que não faz sentido nenhum manter na tua empresa quem odeia empresários». O texto foi apagado após repercussão.
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) abriu investigação e solicitou à Polícia Civil a instauração de inquérito criminal para apurar a conduta do médico. A apuração busca esclarecer se houve incentivo à discriminação política no ambiente de trabalho.
No vídeo de retratação, publicado no Instagram — onde tem quase 95 mil seguidores —, Nora Neto declarou que não teve a intenção de pedir demissões por posicionamento político. Ele também mencionou que, em um story posterior, orientou que pessoas de direita contrárias ao empresariado igualmente não deveriam permanecer nas empresas.
«Aqueles que são contra o empreendedorismo não devem permanecer», afirmou o médico na gravação. Ele acrescentou que, em uma eventual eleição do senador Flávio Bolsonaro (PL), o empresariado estaria sendo perseguido.
Nora Neto ainda direcionou críticas à esquerda: «solução prática para os nossos amigos esquerdistas, vocês reclamam do patrão, do empregado, do empreendedorismo, das empresas… Meu conselho é, peça então demissão dessas empresas. Procure uma empresa de esquerda que divida o mesmo pensamento que você, a mesma ideologia, para não ficar sendo oprimido».
O médico encerrou o vídeo reforçando não ser a favor da perseguição, mas disse que não defende que alguém permaneça em um ambiente profissional onde se sinta oprimido. A investigação do MPSP segue em andamento e pode resultar em desdobramentos judiciais.
Em 2024, Nora Neto concorreu ao cargo de prefeito de Mogi Guaçu, no interior paulista. Ele também participou de atos políticos ao lado de Flávio Bolsonaro na Avenida Paulista, conforme registros divulgados em suas redes sociais.
A publicação original gerou reação nas redes e motivou a apuração do Ministério Público. O caso reacende o debate sobre os limites da liberdade de expressão e a proteção contra discriminação por convicção política no ambiente de trabalho.
Procurado, o médico não se manifestou além do vídeo divulgado. A reportagem não localizou representantes do MPSP para comentar o andamento das investigações até a publicação desta matéria.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/medico-que-incentivou-demitir-petistas-se-retrata-que-pecam-demissao

