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Bauru

MPSP aponta ligação entre ex-secretário de Bauru e pagamento de R$ 750 mil em contrato do lixo

Ministério Público de São Paulo se manifesta contra revogação da prisão preventiva de Renato Purini e cita repasse a empresa de fachada no mesmo dia de votação na Câmara Municipal.

Foto: Divulgação/Prefeitura de Bauru
Raphael Nogueira Felix
29 de outubro de 202622:28
Atualizado agora há pouco às 01:28

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) manifestou-se contrariamente à revogação da prisão preventiva do ex-secretário de Governo de Bauru, Renato Purini, no processo que investiga fraudes na concessão dos serviços de manejo de resíduos sólidos no município. Purini, que é marido da prefeita Suéllen Rosim (PSD), está detido desde 16 de outubro.

Um dos argumentos centrais da Promotoria é a baixa manual de um pagamento de R$ 750 mil realizado pela Estre Ambiental, vencedora da licitação, à Core Investimentos, apontada como empresa de fachada usada para intermediar supostos repasses de propina. O documento obtido pela reportagem indica que a baixa efetiva ocorreu em 8 de dezembro de 2025.

Segundo o MPSP, o pagamento foi registrado no mesmo dia em que a Câmara Municipal de Bauru votaria um projeto de lei de interesse direto do grupo empresarial investigado. A votação terminou com 11 votos favoráveis e nove contrários.

«Portanto, no exato dia em que o projeto de lei foi submetido à votação pela Câmara Municipal de Bauru, foram efetivamente pagos três quartos de milhão de reais à empresa que, segundo as investigações, era utilizada como intermediária das vantagens indevidas coordenadas em favor de Renato», afirmou o Ministério Público na manifestação.

A votação, conforme o documento, contou com atuação política direta do ex-secretário de Governo. Purini teria acompanhado a sessão durante a madrugada e impedido que parlamentares deixassem o local. Uma das imagens anexadas ao processo mostra a servidora Sara Moura de Jesus e a ex-secretária municipal do Meio Ambiente Cilene Bordezan, ambas presas na operação, fazendo um gesto obsceno à TV no momento em que o vereador de oposição Eduardo Borgo (Novo) discursava.

A investigação também identificou pagamentos posteriores da Estre Ambiental à Core Investimentos após 8 de dezembro, sendo o último com nota emitida em 8 de setembro de 2026, um dia antes da deflagração da primeira fase da Operação Cavalo de Troia pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPSP.

Seis alvos da primeira etapa da operação tornaram-se réus por organização criminosa, frustração do caráter competitivo de licitação, contratação direta ilegal e crimes de corrupção ativa e passiva. Entre eles está a ex-secretária Cilene Chabuh Bordezan.

A defesa de Renato Purini nega a prática de atos ilícitos e sustenta que o cliente não recebeu recursos de origem ilícita. O espaço permanece aberto para manifestações.

O caso segue em tramitação na Justiça e as apurações buscam esclarecer a relação entre os pagamentos e a votação do projeto na Câmara Municipal.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/secretario-articulou-propina-em-contrato-do-lixo-em-bauru-diz-mpsp

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