O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) rebateu nesta segunda-feira (7) as suspeitas de que teria desviado parte dos R$ 17 milhões arrecadados por Pix de apoiadores para repassar a parentes e assessores. Segundo ele, os valores enviados ocorreram entre janeiro e junho, antes do início da campanha para quitar multas com o governo de São Paulo por descumprimento de medidas sanitárias na pandemia.
Bolsonaro confirmou as transferências, mas classificou os pagamentos como despesas pessoais rotineiras e não como uso indevido dos recursos doados. Ele falou com jornalistas na sede da Prefeitura de São Paulo, após almoço com o prefeito Ricardo Nunes (MDB), que deve receber seu apoio nas próximas eleições.
De acordo com reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou repasses de R$ 56 mil à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, R$ 77 mil à síndica Leda Maria Marques Crivelatti, R$ 12 mil ao tenente Osmar Crivelatti e R$ 14 mil à lotérica Jonatan e Felix, em Eldorado (SP).
Sobre os valores destinados a Michelle, o ex-presidente afirmou que é ela quem administra suas contas. «Acho que passei pouco para ela. Ela quem paga as contas de quase tudo. Qual é o problema que passei R$ 56 mil para ela em seis meses?», declarou. Em publicação no Twitter, disse que o dinheiro foi usado «para despesas diversas dela, das 2 filhas e da casa» e que recebe duas aposentadorias e salário do PL.
No caso de Leda Crivelatti, Bolsonaro alegou coincidência o fato de ela morar no mesmo condomínio de seu filho Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Segundo ele, o repasse se deve ao aluguel de um imóvel: «Ela que é a dona da casa que eu pago aluguel de mais ou menos R$ 13 mil mensais».
Já o tenente Osmar Crivelatti é um dos oito assessores que Bolsonaro mantém como ex-presidente. Ele afirmou que o militar, por vezes, honra despesas pessoais e é reembolsado via Pix. «Esse senhor não é parente meu, ele é um dos meus assessores, desde 01/janeiro, lotado na cota de ‘ex-presidente’», escreveu.
Os R$ 14.260 enviados à lotérica de seu irmão, Ângelo Guido Bolsonaro, no interior paulista, foram usados para apostas na Mega-Sena, conforme o ex-presidente. «Eu jogo na Mega-Sena. Eu estou em casa, ligo para ele (um sobrinho). Se vocês pegarem esses valores, dos 17 Pix, um a um, são múltiplos de jogos de sete dezenas, por coincidência. Agora está em R$ 35 o jogo de sete números», explicou. «Já fiz duas quadras», completou.
Bolsonaro também comentou as suspeitas de que teria recebido pedras preciosas de um apoiador em Teófilo Otoni (MG), em outubro de 2022, e que elas teriam sido usadas para financiar os atos de 8 de janeiro. Ele admitiu o recebimento, mas disse que as pedras não tinham valor significativo e que não sabe onde estão. «A própria pessoa que me presenteou se apresentou publicamente, um advogado, e diz que as pedras valem R$ 400», afirmou.
As declarações foram feitas no mesmo dia em que o ex-presidente se reuniu com Ricardo Nunes, em um gesto político que sinaliza apoio à reeleição do prefeito. A arrecadação via Pix, que ultrapassou R$ 17 milhões, foi organizada por aliados para ajudar Bolsonaro a pagar multas aplicadas pelo estado de São Paulo durante a pandemia.
Fonte de referência: Blog do Noblat – Metrópoles — https://metropoles.com/sao-paulo/politica/bolsonaro-diz-que-jogou-r-14-mil-na-mega-sena-e-nega-repasse-do-pix-a-parentes
