O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a cobrar, nesta sexta-feira (2/6), o cumprimento de uma promessa feita por nações desenvolvidas há mais de uma década: o repasse de US$ 100 bilhões para ajudar países em desenvolvimento a preservar florestas e mitigar os efeitos das mudanças climáticas. A declaração foi dada durante visita à nova fábrica da Eletra, fabricante de ônibus elétricos, em São Bernardo do Campo (SP).
«Estou esperando até agora os US$ 100 bilhões», afirmou o presidente, referindo-se ao compromisso assumido na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP) de Copenhague, em 2009. Segundo Lula, o valor nunca foi efetivamente disponibilizado aos países em desenvolvimento.
Essa não é a primeira vez que o petista cobra publicamente o repasse. No início de maio, durante participação no encontro do G7, no Japão, ele já havia feito apelo semelhante. O grupo reúne Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido.
Lula mencionou que, dias antes, Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Noruega anunciaram a liberação de recursos para o Brasil, mas ressaltou que a necessidade não se restringe ao território brasileiro. «A Amazônia não é só brasileira, você tem floresta em oito países. Se eles, que são industrializados, já desmataram o que tinha de desmatar, têm de pagar para que quem tem floresta ainda mantenha a floresta em pé», declarou.
A ampliação da fábrica de ônibus elétricos integra um plano de investimentos de R$ 150 milhões. Durante o discurso, o presidente afirmou que tentará convencer prefeitos de todo o país a adotar a transição energética. «A gente vive falando de desmatamento na Amazônia, mas na hora de fazer as coisas, não faz», criticou.
O presidente também abordou as negociações com a União Europeia e criticou a pressão europeia para que o Brasil abra seu mercado de compras governamentais. Em tom comparativo, lembrou que, nos anos 1980, a economia brasileira era maior que a chinesa, e questionou a atual posição do país no cenário global.
Lula esteve acompanhado do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento e Indústria, Geraldo Alckmin (PSB), da primeira-dama Janja e de diversos ministros, como Alexandre Padilha (Relações Institucionais), Camilo Santana (Educação), Luciana Santos (Ciência e Tecnologia), Luiz Marinho (Trabalho), Márcio França (Portos e Aeroportos), Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) e Renan Filho (Transportes).
Mais cedo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participou ao lado de Lula e outros ministros da inauguração de um novo bloco da Universidade Federal do ABC (UFABC).
A cobrança de Lula ocorre em um contexto de crescentes alertas sobre a emergência climática e a necessidade de financiamento internacional para ações de preservação ambiental e adaptação às mudanças do clima. O compromisso dos US$ 100 bilhões anuais, firmado em Copenhague, segue como um dos principais pontos de atrito nas negociações climáticas globais.
Fonte de referência: Blog do Noblat – Metrópoles — https://metropoles.com/sao-paulo/politica/mudancas-climaticas-lula-diz-que-esta-esperando-ate-agora-bilhoes-prometidos
