Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram uma metodologia inovadora para mapear vulnerabilidades urbanas com base em dados territoriais, que foi recentemente patenteada no Brasil. O sistema tem potencial para apoiar a formulação e a implementação de políticas públicas mais eficazes nas áreas de energia, mobilidade, saúde e infraestrutura.
Coordenada pelo geógrafo Luís Antonio Bittar Venturi, a pesquisa foi realizada no Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI), localizado na Escola Politécnica da USP, com apoio da FAPESP, Shell e outras instituições. O método permite identificar espacialmente áreas urbanas suscetíveis a falhas ou deficiências em serviços essenciais, por meio do cruzamento de múltiplos indicadores.
Um dos principais resultados da pesquisa foi a criação de um mapa inédito que classifica a vulnerabilidade energética de bairros na cidade de São Paulo. O estudo considerou parâmetros como densidade de árvores, proximidade de hospitais, características da rede elétrica, presença de subestações e disponibilidade de fontes alternativas de energia, como o gás natural.
Surpreendentemente, o levantamento mostrou que bairros de alto padrão econômico também apresentam níveis elevados de vulnerabilidade energética, evidenciando que fatores territoriais e estruturais têm maior peso que a renda na determinação desses riscos.
A metodologia possibilita ainda cruzar diferentes tipos de vulnerabilidades, como social e energética, para compreender relações e padrões no território. Além disso, permite simular cenários de intervenção, como a ampliação do uso de gás residencial, que segundo a pesquisa poderia reduzir em média 11% a vulnerabilidade energética na capital paulista.
O processo desenvolvido integra três dimensões — teoria, método e técnica — aplicadas em sequência para produzir mapas temáticos que classificam níveis de vulnerabilidade. Para isso, os indicadores são organizados em uma matriz de ponderação (Analytical Hierarchy Process - AHP) e processados em ambiente de geoprocessamento, resultando em análises espaciais detalhadas.
Venturi destaca que o diferencial do trabalho é o procedimento sistematizado, que pode ser aplicado a diversos fenômenos urbanos desde que haja dados georreferenciados e indicadores adequados. Exemplos de aplicações futuras incluem análise de segurança hídrica, mobilidade urbana, criminalidade e padrões epidemiológicos.
O método requer atuação interdisciplinar envolvendo especialistas em diferentes áreas, garantindo a integração de conhecimentos teóricos e técnicos essenciais para a confiabilidade dos resultados.
Atualmente, a metodologia já desperta interesse para ser utilizada em projetos de maior escala, como o diagnóstico da infraestrutura energética do Estado de São Paulo, com o objetivo de mapear vulnerabilidades regionais e apoiar decisões estratégicas de planejamento.
Fonte de referência: Agência SP — https://www.agenciasp.sp.gov.br/usp-desenvolve-metodologia-para-mapear-vulnerabilidades-urbanas-e-apoiar-politicas-publicas/


