A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) aprovou, nesta sexta-feira (29), um relatório que conclui que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi morto pela ditadura militar em 1976. O documento, aprovado por seis votos a um, contesta a versão oficial de que ele teria morrido em um acidente automobilístico na Via Dutra.
De acordo com a relatora, professora Maria Cecília Adão, há indícios de que JK foi atraído para um encontro em um hotel com emissários do então presidente Ernesto Geisel. A reunião teria sido o motivo para que ele optasse por viajar de carro, e não de avião, como costumava fazer.
O relatório aponta que o motorista do ex-presidente pode ter sido sedado e o veículo sabotado ainda no hotel. Um caminhoneiro que seguia atrás do caminhão envolvido na colisão afirmou ter visto o motorista debruçado, aparentando estar desacordado, antes do impacto.
A investigação identificou 37 fraudes no processo original, incluindo a chegada de militares ao local do acidente cerca de 20 minutos após a ocorrência. Segundo o documento, os militares assumiram o controle da área imediatamente, o que teria permitido a adulteração de provas.
Testemunhas que relataram que não houve colisão foram ignoradas, e peritos do Instituto Médico-Legal do Rio de Janeiro que atuaram no caso estiveram envolvidos em outras fraudes em mortes durante o regime militar, conforme a relatora.
Com a aprovação do relatório, a comissão agora trabalhará para retificar a certidão de óbito de Juscelino Kubitschek, seguindo resolução do Conselho Nacional de Justiça. A medida busca corrigir oficialmente a causa da morte, reconhecendo o caráter político do ocorrido.
O caso de JK é um dos mais emblemáticos da história política brasileira. A conclusão da comissão reforça os debates sobre a atuação do Estado durante a ditadura e a necessidade de revisão de mortes consideradas suspeitas naquele período.
Fonte de referência: g1.globo.com — https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/05/29/comissao-aprova-relatorio-e-conclui-que-jk-foi-assassinado-pela-ditadura.ghtml



