O Museu do Ipiranga, em São Paulo, adotará a mesma tecnologia de escaneamento a laser 3D utilizada no monitoramento do Coliseu de Roma para acompanhar o estado de conservação do edifício histórico. A iniciativa, apresentada durante a FAPESP Week Londres, prevê a criação de um modelo digital detalhado do museu, que passou por reformas recentes.
O projeto é liderado pela professora Beatriz Kuhl, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), em parceria com o laboratório Diaprem, da Universidade de Ferrara, na Itália. O mesmo grupo já havia realizado um escaneamento do museu antes das obras de restauração e agora retorna para registrar as mudanças.
O equipamento, portátil e do tamanho de uma caixa de sapatos, emite raios laser que mapeiam com precisão milimétrica as coordenadas geométricas de cada ponto das superfícies internas e externas. Além da geometria, o scanner capta a refletância dos materiais, permitindo identificar anomalias como umidade ou presença de mofo.
Os dados coletados formarão uma nuvem de pontos que servirá tanto para a memória geométrica do edifício quanto para o diagnóstico de problemas estruturais. A metodologia utilizada é o HBIM (Historic Building Information Modelling), que integra informações físicas e históricas em um ambiente digital tridimensional.
De acordo com a pesquisadora, a continuidade da parceria com a equipe italiana é estratégica para garantir a comparabilidade dos dados. “Para ter dados de fato comparáveis, é fundamental utilizar a mesma metodologia e os mesmos pontos de referência”, explicou Kuhl.
O escaneamento será realizado de forma gradual, sem interferir na rotina do museu, que reabriu ao público em setembro de 2022 após uma década fechado para reformas. O museu não será fechado durante o processo.
O projeto se insere em uma linha de pesquisa mais ampla sobre conservação preventiva, que busca antecipar problemas antes que exijam intervenções invasivas e custosas. Um trabalho anterior, financiado pela Fundação Getty, gerou recomendações para o edifício da FAU-USP, incluindo melhorias na impermeabilização e acessibilidade.
Kuhl destacou que a mudança na cultura de manutenção do patrimônio público ainda é um desafio, mas que a nova pesquisa visa justamente direcionar esforços para a prevenção. A experiência brasileira pode se beneficiar de referências como a Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, onde uma política sistemática de conservação preventiva foi aplicada com sucesso.
A expectativa é que o modelo digital auxilie na gestão da informação para a conservação do Museu do Ipiranga, servindo de exemplo para outros patrimônios históricos no país.
Fonte de referência: Agência SP — https://www.agenciasp.sp.gov.br/tecnologia-coliseu-museu-do-ipiranga/


