O Ministério Público de São Paulo, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou nesta terça-feira (23) a Operação Backdoor, que resultou na prisão de dois advogados nas cidades de Taquaritinga e Jaboticabal, no interior paulista. Eles são suspeitos de acessar indevidamente o sistema do Tribunal de Justiça e vazar informações de uma investigação sigilosa a integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
De acordo com as apurações, os profissionais teriam utilizado a senha de um promotor de Justiça para obter dados sobre um processo que apurava homicídios atribuídos à facção criminosa. Com as informações em mãos, eles as repassaram aos investigados, que conseguiram fugir, prejudicando o andamento das diligências.
A investigação original contava com mais de dez alvos, mas apenas dois foram presos na época. Posteriormente, outros suspeitos foram localizados, mas alguns permanecem foragidos até hoje. Entre os beneficiados pelo vazamento estão Alexsandro Cardoso Mota, conhecido como Sandrinho (foragido), Clovis Aparecido da Silva, o Clovis Capeta, e Edner Silveiro de Souza, o Edinho, que ficou foragido por vários meses e foi capturado apenas no início deste ano em Pernambuco, portando documentos falsos. Todos estão ligados a assassinatos cometidos em tribunais do crime do PCC.
A operação recebeu o nome de Backdoor, termo em inglês que se refere a uma porta dos fundos, em alusão ao método utilizado pelos advogados para acessar o sistema judicial sem autorização. O Gaeco busca agora aprofundar as investigações, identificar todos os envolvidos e reunir novas provas sobre a dinâmica criminosa.
As autoridades continuam analisando o material apreendido com os advogados, realizando oitivas e adotando outras diligências. A ação reforça o combate ao crime organizado e a proteção do sigilo processual, essencial para a eficácia das investigações.
O caso levanta questionamentos sobre a segurança dos sistemas do Tribunal de Justiça e a necessidade de medidas mais rigorosas para evitar novos vazamentos. A Polícia Civil e o Ministério Público acompanham o desdobramento das apurações.
Fonte de referência: www.metropoles.com — https://www.metropoles.com/sao-paulo/advogados-sao-presos-suspeitos-de-vazar-investigacao-sigilosa-ao-pcc


