UrgentePromotoria de SP arquiva representação sobre empréstimos consignados da PM com banco Digimais
← Voltar

São Paulo

Promotoria de SP arquiva representação sobre empréstimos consignados da PM com banco Digimais

O Ministério Público de São Paulo arquivou representação do deputado Maurici (PT) que pedia investigação sobre autorização do governo Tarcísio para o Digimais oferecer crédito consignado a policiais militares.

Foto: Reprodução

Raphael Nogueira Felix
23 de junho de 202617:58
Atualizado agora há pouco às 20:58

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) arquivou, no mês passado, uma representação apresentada pelo deputado estadual Maurici (PT) que solicitava a investigação da autorização concedida pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) para que o Banco Digimais oferecesse empréstimos consignados a policiais militares paulistas.

Na última terça-feira (23), policiais cumpriram nove mandados de busca e apreensão contra alvos ligados ao Digimais. O proprietário da instituição financeira, o bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal, não foi alvo dos mandados por residir no exterior, mas a Justiça decretou a quebra de seu sigilo e o bloqueio de bens. No total, mais de R$ 670 milhões de dez alvos da operação foram bloqueados.

Conforme divulgado pelo Metrópoles, o acordo entre o governo paulista e o Digimais foi publicado em setembro de 2025 e abriu uma ampla clientela potencial para o banco, considerando que apenas entre os servidores ativos a Polícia Militar conta com mais de 80 mil agentes.

Após a divulgação do caso, o deputado Maurici protocolou uma representação cobrando a apuração não apenas da autorização para a PM, mas também da permissão concedida pela Prefeitura de São Paulo para servidores municipais. Na época da autorização, o banco já enfrentava dificuldades financeiras.

“Diante desse quadro, a autorização concedida pelos governos estadual e municipal para que o Banco Digimais operasse consignado sobre a folha de pagamento de policiais militares e servidores públicos reveste-se de especial gravidade, pois expôs diretamente o patrimônio salarial de agentes públicos a uma instituição em colapso financeiro, com histórico de emissão de contratos fictícios e sob investigação judicial”, afirmou a representação do parlamentar.

Menos de 15 dias após o protocolo, a Promotoria do Patrimônio Público arquivou o caso, alegando que se tratava de mera suspeita sem elementos concretos.

O Digimais pertence ao bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal, que é ligada ao Republicanos, partido do governador Tarcísio. Na atual gestão, a igreja tem aprofundado suas conexões com a PM paulista. O acordo de consignado tem validade até 2030 e, com desconto direto em folha, oferece juros menores que os de mercado, garantindo maior liquidez ao banco.

Quando a autorização foi concedida, o Digimais já enfrentava uma crise de longa data. Meses antes, a venda do banco para o BlueBank, do empresário Maurício Quadrado, havia sido anunciada, mas a negociação não avançou devido à piora do cenário econômico e à resistência do Banco Central. No início de abril, o BTG Pactual divulgou acordo para compra do Digimais.

Com o aumento da inadimplência na carteira de crédito durante a pandemia de Covid-19, o Digimais começou a apresentar problemas. Relatórios de 2024 e 2025 apontaram alta inadimplência, corroendo o patrimônio e exigindo aportes recorrentes do próprio Edir Macedo para evitar quebra técnica. Em setembro de 2025, a instituição acumulava prejuízo de R$ 250 milhões, valor que chegou a quase R$ 500 milhões em fevereiro deste ano.

Por meio de nota, a São Paulo Previdência (SPPREV) informou que atua exclusivamente como processadora dos descontos em folha, dentro dos limites legais, e que não participa da celebração dos contratos nem interfere nas condições pactuadas. O credenciamento das instituições ocorre mediante cumprimento de requisitos legais, e não cabe à SPPREV a análise de mérito sobre produtos ofertados.

Fonte de referência: www.metropoles.com — https://www.metropoles.com/sao-paulo/mpsp-arquivou-apuracao-sobre-consignados-da-pm-com-o-digimais

MPSPDigimaisPMconsignadoTarcísio de FreitasEdir MacedoIgreja UniversalSão Pauloia-auto