Um policial militar que atendeu a ocorrência em que um pai acionou a polícia após a filha desenhar uma orixá em atividade escolar afirmou, em depoimento à Polícia Civil, que a equipe não acusou a escola de praticar ensino religioso. A versão, no entanto, é contestada por imagens das câmeras corporais dos agentes, que mostram o contrário.
O caso ocorreu em novembro do ano passado, na Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Antônio Bento, no bairro do Caxingui, zona oeste de São Paulo. O pai da aluna acionou o 190 após a filha participar de uma atividade sobre religiões de matriz africana, que incluía o desenho da orixá Iansã.
Os policiais entraram na escola armados com revólveres e pelo menos um fuzil, segundo relatos. As imagens das câmeras corporais, divulgadas pelo Metrópoles, mostram um dos PMs discutindo com a diretora e repetindo que a atividade tinha cunho religioso.
No vídeo, o tenente Ronald afirma à diretora que viu um desenho escrito Iansã e que se trata de uma entidade da cultura afro. Quando a diretora e a inspetora negam que a escola ensine religião, o policial rebate, dizendo que a educadora quis impor sua ideologia.
O sargento Rafael Lima, que acompanhou a conversa, também prestou depoimento. Ele afirmou que a diretora elevou o tom de voz e chamou outras pessoas, que teriam adotado postura intimidatória contra os agentes. As imagens, porém, mostram que funcionários e pais só aparecem após a discussão inicial, quando os policiais já haviam retornado ao interior da escola.
Em um momento do vídeo, o tenente Ronald conversa por telefone com a supervisora da Diretoria Regional de Educação (DRE) do Butantã. Após a ligação, ele diz ser neutro na situação e que está ali apenas para aplicar a lei. O policial afirma que não vê crime na situação, mas que é direito do pai chamar a polícia e acionar a Justiça.
Após o caso vir a tona, a Polícia Civil indiciou o pai da aluna por intolerância religiosa. Já a Polícia Militar abriu um Inquérito Policial Militar (IPM) para investigar a conduta dos agentes envolvidos.
O Metrópoles questionou a Secretaria da Segurança Pública (SSP) sobre o andamento da investigação. A pasta informou que o IPM foi encaminhado pela Corregedoria ao Tribunal de Justiça Militar para análise. O Tribunal de Justiça Militar, por sua vez, disse que o caso foi enviado ao Ministério Público para manifestação.
Fonte de referência: www.metropoles.com — https://www.metropoles.com/sao-paulo/orixa-ao-depor-pm-negou-que-agentes-tenham-tomado-partido-de-pai


