UrgenteEm depoimento, PM nega acusação de intolerância religiosa em escola, mas vídeos contradizem versão
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São Paulo

Em depoimento, PM nega acusação de intolerância religiosa em escola, mas vídeos contradizem versão

Policial militar afirmou em depoimento que não acusou escola de ensino religioso, mas imagens de câmeras corporais mostram discussão sobre desenho de orixá.

Material cedido ao Metrópoles

Raphael Nogueira Felix
24 de junho de 202618:18
Atualizado agora há pouco às 21:18

Um policial militar que atendeu a ocorrência em que um pai acionou a polícia após a filha desenhar uma orixá em atividade escolar afirmou, em depoimento à Polícia Civil, que a equipe não acusou a escola de praticar ensino religioso. A versão, no entanto, é contestada por imagens das câmeras corporais dos agentes, que mostram o contrário.

O caso ocorreu em novembro do ano passado, na Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Antônio Bento, no bairro do Caxingui, zona oeste de São Paulo. O pai da aluna acionou o 190 após a filha participar de uma atividade sobre religiões de matriz africana, que incluía o desenho da orixá Iansã.

Os policiais entraram na escola armados com revólveres e pelo menos um fuzil, segundo relatos. As imagens das câmeras corporais, divulgadas pelo Metrópoles, mostram um dos PMs discutindo com a diretora e repetindo que a atividade tinha cunho religioso.

No vídeo, o tenente Ronald afirma à diretora que viu um desenho escrito Iansã e que se trata de uma entidade da cultura afro. Quando a diretora e a inspetora negam que a escola ensine religião, o policial rebate, dizendo que a educadora quis impor sua ideologia.

O sargento Rafael Lima, que acompanhou a conversa, também prestou depoimento. Ele afirmou que a diretora elevou o tom de voz e chamou outras pessoas, que teriam adotado postura intimidatória contra os agentes. As imagens, porém, mostram que funcionários e pais só aparecem após a discussão inicial, quando os policiais já haviam retornado ao interior da escola.

Em um momento do vídeo, o tenente Ronald conversa por telefone com a supervisora da Diretoria Regional de Educação (DRE) do Butantã. Após a ligação, ele diz ser neutro na situação e que está ali apenas para aplicar a lei. O policial afirma que não vê crime na situação, mas que é direito do pai chamar a polícia e acionar a Justiça.

Após o caso vir a tona, a Polícia Civil indiciou o pai da aluna por intolerância religiosa. Já a Polícia Militar abriu um Inquérito Policial Militar (IPM) para investigar a conduta dos agentes envolvidos.

O Metrópoles questionou a Secretaria da Segurança Pública (SSP) sobre o andamento da investigação. A pasta informou que o IPM foi encaminhado pela Corregedoria ao Tribunal de Justiça Militar para análise. O Tribunal de Justiça Militar, por sua vez, disse que o caso foi enviado ao Ministério Público para manifestação.

Fonte de referência: www.metropoles.com — https://www.metropoles.com/sao-paulo/orixa-ao-depor-pm-negou-que-agentes-tenham-tomado-partido-de-pai

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