O deputado estadual Antonio Donato (PT) apresentou nesta quinta-feira (25) uma representação ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) solicitando a apuração de possíveis irregularidades na autorização concedida pelo governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) para que o Banco Digimais opere empréstimos consignados com servidores públicos estaduais.
A instituição financeira, que pertence ao bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal e ligado ao Republicanos, foi alvo de uma operação da Polícia Federal na terça-feira (23). A ação cumpriu nove mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao banco, além de decretar a quebra de sigilo bancário e o bloqueio de bens de Edir Macedo, que não reside no Brasil.
De acordo com informações divulgadas anteriormente, o governo estadual havia negado o credenciamento do Digimais em novembro de 2023, alegando que o banco não cumpria exigências do Decreto nº 60.435/2014. No entanto, em junho de 2025, o secretário de Gestão e Governo Digital, Caio Mário Paes de Andrade, autorizou o credenciamento para operações de consignado, empréstimo bancário, cartão de benefício e cartão de crédito.
A autorização também se estendeu à Polícia Militar de São Paulo, que conta com mais de 80 mil policiais. Esse movimento abriu uma ampla clientela para o banco, que já enfrentava problemas de inadimplência desde a pandemia de Covid-19, tendo recebido aportes de Edir Macedo para evitar a quebra, conforme relatórios de 2023 e 2024.
Donato afirmou que também solicitará a convocação do secretário Caio Andrade para prestar esclarecimentos na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). O deputado busca entender os critérios que levaram à mudança de posição do governo em relação ao credenciamento do Digimais.
O MPSP já havia arquivado uma representação anterior sobre o mesmo assunto em maio, por considerar que não havia elementos concretos que indicassem invalidade nos acordos. Na ocasião, a Promotoria do Patrimônio afirmou que se tratava de mera suspeita de inidoneidade da instituição financeira.
Em nota, o governo estadual defendeu que o credenciamento do Digimais em 2025 foi feito após o banco apresentar nova documentação e atender integralmente as exigências regulatórias. A gestão Tarcísio classificou o ato como vinculado e não discricionário, regido por critérios objetivos previstos em norma. O governo também informou que estuda medidas cautelares para garantir a regularidade das operações e a proteção dos servidores.
Dados oficiais indicam que, em maio de 2026, o Digimais representou apenas 1,57% do total de operações de consignado do estado. No entanto, o banco já firmou contratos com institutos de previdência municipais de ao menos dez cidades paulistas, incluindo Guarulhos, Praia Grande, São José do Rio Preto e a capital.
A situação levanta questionamentos sobre a relação entre o governo estadual e instituições financeiras ligadas a lideranças políticas, especialmente em um contexto de crise de liquidez no setor. O caso segue sob análise do MPSP, enquanto a Polícia Federal continua as investigações sobre as operações do Banco Digimais.
Fonte de referência: www.metropoles.com — https://www.metropoles.com/sao-paulo/deputado-aciona-mpsp-contra-consignados-do-governo-no-digimais


