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São Paulo

Deputado pede investigação do MPSP sobre consignados do Banco Digimais no governo de SP

Antonio Donato (PT) protocolou representação no Ministério Público para apurar supostas irregularidades na autorização de empréstimos consignados a servidores estaduais pelo banco ligado a Edir Macedo.

Arte/Metrópoles

Raphael Nogueira Felix
25 de junho de 202617:58
Atualizado agora há pouco às 20:58

O deputado estadual Antonio Donato (PT) apresentou nesta quinta-feira (25) uma representação ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) solicitando a apuração de possíveis irregularidades na autorização concedida pelo governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) para que o Banco Digimais opere empréstimos consignados com servidores públicos estaduais.

A instituição financeira, que pertence ao bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal e ligado ao Republicanos, foi alvo de uma operação da Polícia Federal na terça-feira (23). A ação cumpriu nove mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao banco, além de decretar a quebra de sigilo bancário e o bloqueio de bens de Edir Macedo, que não reside no Brasil.

De acordo com informações divulgadas anteriormente, o governo estadual havia negado o credenciamento do Digimais em novembro de 2023, alegando que o banco não cumpria exigências do Decreto nº 60.435/2014. No entanto, em junho de 2025, o secretário de Gestão e Governo Digital, Caio Mário Paes de Andrade, autorizou o credenciamento para operações de consignado, empréstimo bancário, cartão de benefício e cartão de crédito.

A autorização também se estendeu à Polícia Militar de São Paulo, que conta com mais de 80 mil policiais. Esse movimento abriu uma ampla clientela para o banco, que já enfrentava problemas de inadimplência desde a pandemia de Covid-19, tendo recebido aportes de Edir Macedo para evitar a quebra, conforme relatórios de 2023 e 2024.

Donato afirmou que também solicitará a convocação do secretário Caio Andrade para prestar esclarecimentos na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). O deputado busca entender os critérios que levaram à mudança de posição do governo em relação ao credenciamento do Digimais.

O MPSP já havia arquivado uma representação anterior sobre o mesmo assunto em maio, por considerar que não havia elementos concretos que indicassem invalidade nos acordos. Na ocasião, a Promotoria do Patrimônio afirmou que se tratava de mera suspeita de inidoneidade da instituição financeira.

Em nota, o governo estadual defendeu que o credenciamento do Digimais em 2025 foi feito após o banco apresentar nova documentação e atender integralmente as exigências regulatórias. A gestão Tarcísio classificou o ato como vinculado e não discricionário, regido por critérios objetivos previstos em norma. O governo também informou que estuda medidas cautelares para garantir a regularidade das operações e a proteção dos servidores.

Dados oficiais indicam que, em maio de 2026, o Digimais representou apenas 1,57% do total de operações de consignado do estado. No entanto, o banco já firmou contratos com institutos de previdência municipais de ao menos dez cidades paulistas, incluindo Guarulhos, Praia Grande, São José do Rio Preto e a capital.

A situação levanta questionamentos sobre a relação entre o governo estadual e instituições financeiras ligadas a lideranças políticas, especialmente em um contexto de crise de liquidez no setor. O caso segue sob análise do MPSP, enquanto a Polícia Federal continua as investigações sobre as operações do Banco Digimais.

Fonte de referência: www.metropoles.com — https://www.metropoles.com/sao-paulo/deputado-aciona-mpsp-contra-consignados-do-governo-no-digimais

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