UrgentePolícia Civil de SP investiga hacker que oferece delação contra agentes por suposta espionagem
← Voltar

São Paulo

Polícia Civil de SP investiga hacker que oferece delação contra agentes por suposta espionagem

A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo apura denúncias de que um hacker, que negocia colaboração com o MPF, teria sido coagido por policiais para invadir dispositivos de investigados.

Foto: Reprodução

Raphael Nogueira Felix
27 de junho de 202618:28
Atualizado agora há pouco às 21:28

A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo instaurou um procedimento interno para investigar o hacker Patrick Brito, que vive na Sérvia e tenta evitar a extradição ao Brasil. Ele negocia com o Ministério Público Federal um acordo de delação para relatar suposto envolvimento de policiais em esquema de espionagem.

O caso ganhou repercussão após mensagens atribuídas a Brito, enviadas a autoridades da Secretaria da Segurança Pública, serem consideradas ameaçadoras. A investigação, que corre em segredo de Justiça, foi aberta em abril, dois meses antes de o hacker ser incluído na lista de difusão vermelha da Interpol, em 12 de junho.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública, Patrick Brito é alvo por suposta prática do crime de coação no curso do processo. No entanto, a decisão que autorizou a apuração não especifica qual processo estaria sendo alvo de coação, mencionando apenas as mensagens enviadas à cúpula da pasta, descritas como ameaçadoras.

As mensagens fazem referência ao delegado Carlos Henrique Cotait, que recentemente reassumiu a chefia da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Araçatuba. Cotait havia ficado afastado do cargo por cerca de um ano e meio, enquanto era alvo de apuração preliminar baseada nas acusações do hacker.

Patrick Brito alega ter sido cooptado pela equipe do delegado para invadir dispositivos de investigados e obter provas de forma ilegal. O caso veio a público após denúncia de um alvo da Operação Raio-X, deflagrada em agosto de 2020, que apurava desvio de dinheiro em contratos entre prefeituras e organizações sociais.

O médico Franklin Cangussu Sampaio, ligado ao ex-governador Márcio França, teve o celular apreendido por policiais e passou a ser extorquido. Descobriu-se que Patrick Brito seria o responsável pelo crime, e o hacker afirma ter obtido as informações usadas na invasão com a equipe de Cotait.

Ao justificar a investigação, o delegado Kleber de Oliveira Granja, da Divisão de Crimes Funcionais, afirma que as mensagens atribuídas ao hacker contêm conteúdo ameaçador direcionado ao delegado-geral, ao secretário da Segurança Pública e ao governador de São Paulo. Prints juntados ao procedimento incluem comentários pejorativos sobre a atuação da Corregedoria e a recondução de Cotait.

Entre as medidas solicitadas estão a qualificação do hacker e a identificação de sua linha telefônica. A invasão do celular do médico teria ocorrido a partir de determinação do delegado Cotait, conforme prints de conversas entre o hacker e a investigadora Cindy Orsi Nozu, hoje delegada da Polícia Federal. Ela teria orientado Brito a invadir dispositivos de suspeitos, inclusive do ex-governador Márcio França.

Em uma das mensagens, Cindy afirma estar escrevendo um relatório para pedir a prisão preventiva de Cangussu, com o objetivo de fazê-lo delatar Márcio França. Ela ainda teria sugerido que o hacker invadisse o dispositivo do próprio político. Após descobrir a extorsão, Cangussu registrou denúncia na Divisão de Crimes Cibernéticos, o que levou à abertura do procedimento na Corregedoria.

Fonte de referência: www.metropoles.com — https://www.metropoles.com/sao-paulo/corregedoria-investiga-hacker-que-negocia-delacao-contra-policiais

hackercorregedoriapolícia civildelaçãoespionagemSão Pauloia-auto