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São Paulo

Usina na USP transforma resíduos orgânicos em energia e biofertilizantes

Inaugurada no Instituto de Energia e Ambiente da USP, a usina processa 25 toneladas de resíduos por dia, gerando eletricidade, biometano e biofertilizantes, em modelo de economia circular.

Usina no Instituto de Energia e Ambiente da USP processa 25 toneladas de resíduos orgânicos por dia, gerando eletricidade, biometano e biofertilizantes. Foto: Agência SP

Raphael Nogueira Felix
1 de julho de 202612:59
Atualizado agora há pouco às 15:59

O Estado de São Paulo ganhou uma nova unidade de aproveitamento de resíduos orgânicos. Na última terça-feira (30), foi inaugurada a Usina de Bioenergia e Biofertilizantes do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE/USP), um projeto-piloto que converte restos de alimentos e outros materiais orgânicos em eletricidade, biometano e fertilizantes.

A cerimônia contou com a presença da secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), Natália Resende, que destacou a importância da iniciativa para a matriz energética paulista. Atualmente, São Paulo possui cerca de 60% de sua matriz baseada em fontes renováveis, índice superior à média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que é de 13%.

A usina tem capacidade inicial para processar 25 toneladas de resíduos orgânicos por dia, com possibilidade de expansão para 43,5 toneladas. Por meio da biodigestão, cada tonelada gera entre 120 e 180 metros cúbicos de biogás, com teor de metano entre 50% e 65%. Esse gás pode ser convertido em 166 a 200 kWh de eletricidade ou refinado para produzir 90 a 117 metros cúbicos de biometano.

A energia elétrica gerada já abastece a rede da USP e o Sistema Interligado Nacional (SIN). Com a conclusão da unidade de refino, a usina também passará a fornecer biometano para veículos movidos a Gás Natural Veicular (GNV) ou para injeção na rede de distribuição de gás. Além disso, cerca de 80% do material processado se transforma em digestato, um biofertilizante testado em parceria com a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) em cultivos de cana-de-açúcar e hortaliças.

O projeto recebeu investimentos de aproximadamente R$ 10 milhões, oriundos do orçamento do IEE-USP, de projetos de pesquisa financiados pela FAPESP, CNPq, Aneel e Eletropaulo/Enel, além de equipamentos fornecidos pela empresa TPI, avaliados em R$ 3,5 milhões. O modelo modular da usina permite que a tecnologia seja replicada em diferentes escalas, atendendo desde municípios até indústrias e centrais de abastecimento.

A inauguração reforça o protagonismo de São Paulo na cadeia do biometano. O estado abriga nove das 19 plantas do tipo em operação no Brasil e pode atingir, ainda em 2026, capacidade instalada recorde de 1 milhão de metros cúbicos por dia, suficiente para abastecer 2,8 milhões de residências conectadas à rede de gás canalizado. O governo estadual também estuda expandir a infraestrutura de gasodutos e certificar a origem do combustível renovável.

O biometano é considerado estratégico para a descarbonização de setores como transporte pesado e indústria, além de contribuir para a economia circular ao reduzir o envio de resíduos orgânicos a aterros sanitários. A usina da USP serve como vitrine tecnológica e modelo escalável para o aproveitamento sustentável de resíduos em todo o país.

Fonte de referência: Agência SP — https://agenciasp.sp.gov.br/usina-transforma-residuos-em-energia

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