O estado de São Paulo alcançou a menor taxa de homicídios de mulheres do Brasil em 2024, conforme o Atlas da Violência 2026, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O índice paulista foi de 1,5 assassinato por 100 mil mulheres, menos da metade da média nacional, que ficou em 3,4.
Na sequência, aparecem Santa Catarina, Distrito Federal e Sergipe, todos com 2,2 homicídios de mulheres a cada 100 mil habitantes. Em situação oposta, Roraima lidera com a maior taxa do país, 12,6, seguido por Ceará e Rondônia (5,7 cada), além de Bahia e Pernambuco (5,4).
A pesquisa também revela uma trajetória de queda significativa no estado: entre 2014 e 2024, a taxa paulista caiu de 2,7 para 1,5, uma redução de 44,4%. No mesmo período, a média nacional recuou de 4,7 para 3,4, o que representa uma diminuição de 27,7%.
Em números absolutos, o Brasil registrou 3.642 mulheres assassinadas em 2024, segundo o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, base utilizada pelo Atlas. Os dados de saúde não permitem distinguir homicídios comuns de feminicídios, mas os pesquisadores utilizam o local da ocorrência — residências — como indicador indireto para avaliar a violência de gênero.
O governo paulista mantém uma série de ações voltadas à proteção feminina, coordenadas pela Secretaria de Políticas para a Mulher. Entre elas, está o aplicativo SP Mulher Segura, que oferece botão de pânico vinculado a tornozeleiras eletrônicas em agressores. Até maio de 2026, o app contava com 64 mil usuárias e mais de 16 mil acionamentos do dispositivo de emergência.
Em maio deste ano, foi lançado o programa SP por Todas Mais Seguras, com investimento de R$ 20,9 milhões. A iniciativa prevê a criação da Patrulha Mulher Segura, da Polícia Militar, com 100 viaturas dedicadas exclusivamente à proteção feminina até o fim de 2026, além da instalação de 40 Espaços Lilás para acolhimento de vítimas nas unidades da corporação.
Outro marco recente foi a nomeação da coronel Glauce Anselmo Cavalli como comandante-geral da PM paulista, a primeira mulher a ocupar o cargo em quase 200 anos da instituição. Em seu discurso de posse, ela afirmou que o enfrentamento à violência doméstica será prioridade operacional.
O Atlas da Violência é uma publicação bienal que reúne dados oficiais de mortalidade e segurança pública. A edição de 2026 reforça a posição de São Paulo como o estado com o menor índice de homicídios femininos em toda a série histórica do levantamento.
Fonte de referência: Agência SP — https://agenciasp.sp.gov.br/sp-tem-a-menor-taxa-de-homicidios-de-mulheres-do-brasil-aponta-atlas-da-violencia


