O governo do estado de São Paulo assinou, nesta sexta-feira (3), a posse do terreno onde ficava a Favela do Moinho, na região central da capital. Com a transferência, a administração estadual apresentou as primeiras imagens do projeto do parque que será construído no local, batizado de Parque do Moinho.
O espaço, localizado no bairro Campos Elíseos, terá 61,3 mil metros quadrados e atravessará o Viaduto Engenheiro Orlando Murgel, entre as linhas 7-Rubi, 8-Diamante e 11-Coral da malha ferroviária metropolitana. O projeto foi desenvolvido pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU).
Segundo o governo paulista, o parque será voltado para lazer e convivência social. A expectativa é que, futuramente, uma nova estação de trem seja instalada em terreno vizinho, que atualmente pertence à Ceagesp e a um proprietário particular, em processo de transferência para o estado.
A assinatura da transferência encerra as tratativas entre os governos estadual e federal, que haviam firmado um acordo prevendo subsídio de R$ 250 mil por família para aquisição de imóveis. Desse valor, R$ 180 mil seriam custeados pela União e R$ 70 mil pelo estado.
Os moradores puderam escolher entre imóveis novos ou usados em qualquer município paulista. Famílias que optaram por imóveis em construção receberam auxílio-moradia de até R$ 1.200 por mês durante a transição, sendo R$ 800 pagos pelo programa Casa Paulista e R$ 400 pela Prefeitura de São Paulo.
O processo de remoção das famílias gerou embates políticos. O presidente Lula afirmou que o subsídio integral só foi possível graças ao governo federal e criticou a atuação da Polícia Militar na comunidade. Já a gestão Tarcísio de Freitas apontou demora e burocracia por parte do governo federal para liberar os recursos.
Atualmente, mais de 627 famílias já se mudaram para moradias definitivas, segundo o governo estadual. As restantes continuam recebendo auxílio-moradia de R$ 1.200 mensais até que seus imóveis fiquem prontos ou que indiquem um imóvel para aquisição via Carta de Crédito Individual. Apenas nove famílias permanecem no local.
O futuro da Favela do Moinho mobilizou os dois governos desde o início de 2025. Em abril do ano passado, o governo estadual iniciou a retirada das primeiras famílias, o que gerou protestos que chegaram a interromper a circulação de trens na região. Houve relatos de intimidação policial, e parte da comunidade pressionou o governo federal a se posicionar.
Em maio, o governo federal anunciou uma parceria com a gestão Tarcísio para ofertar imóveis gratuitamente aos moradores de baixa renda. O acordo também prevê a restituição de valores pagos por famílias que já haviam aderido à proposta anterior da CDHU.
O governo estadual deu continuidade às remoções, que já teriam alcançado metade da favela. Internamente, a gestão Tarcísio avalia que a Caixa e o governo federal demoraram a liberar a verba, gerando insegurança entre os moradores que ainda aguardam solução habitacional.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/favela-do-moinho-sp-assina-posse-e-exibe-projeto-de-futuro-parque


