A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo instaurou um procedimento interno para investigar o delegado Fabio Pinheiro Lopes, atual diretor do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope). A medida foi tomada após o nome do policial aparecer em um áudio que integra um inquérito da Polícia Federal (PF) sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico internacional de drogas.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que a apuração foi aberta assim que a pasta tomou conhecimento do ocorrido. O procedimento também deve analisar o compartilhamento de informações com a PF. A instituição reafirmou seu compromisso com a legalidade, a transparência e a garantia dos direitos de todos os envolvidos.
O delegado é citado em um relatório da PF que embasou uma operação deflagrada contra um esquema bilionário de lavagem de dinheiro. Segundo a investigação, Fabio Pinheiro Lopes, conhecido como 'Fabio Caipira', foi mencionado em uma mensagem de áudio enviada em maio de 2024 pelo advogado Romany Cutolo Bonente, apelidado de 'Roma'. A PF aponta que ele atuaria como intermediário entre integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e Victor Henrique de Oliveira Shimada, tido como líder do esquema.
Na transcrição do áudio, reproduzida na decisão judicial que autorizou a operação, Roma afirma: 'Eu tenho que mandar R$ 100 mil pro Fabio Caipira do Deic, entendeu? Eu tenho que mandar e ponto, acabou'. A gravação foi feita na madrugada de 15 de maio de 2024. No mesmo áudio, o advogado também diz que Shimada teria usado indevidamente dinheiro de um homem conhecido como 'Ratão', descrito como pessoa de alta periculosidade.
A investigação da PF começou após a apreensão do celular de Ygor Fokin Saviolli, detido no Aeroporto Internacional de Fort Lauderdale, nos Estados Unidos. No aparelho, foram encontradas fotos e vídeos de grandes quantias de dinheiro, além de mensagens criptografadas que indicavam crimes relacionados ao tráfico internacional de drogas. As informações foram compartilhadas com a PF pelo Homeland Security Investigations (HSI), braço investigativo do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) dos EUA.
A partir dos dados recebidos, o Grupo Especial de Investigações Sensíveis (Gise) identificou que Saviolli e Shimada seriam os responsáveis por comandar o esquema. A organização utilizava empresas como Victory Trading Intermediação de Negócios e Hi Quality Importação para movimentar recursos supostamente ilícitos. A PF representou por medidas cautelares em março, mas os mandados só foram deferidos pela Justiça Federal em junho, sem cumprimento imediato devido à dificuldade de localizar Shimada.
Em 1º de julho, o Departamento do Tesouro dos EUA sancionou Victor Shimada e Stella Stefanie por suspeita de envolvimento com o PCC. A medida, segundo a PF, atrapalhou as investigações, pois a divulgação prematura dificultou a captura dos alvos. O diretor da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que houve prejuízo à operação. O promotor Lincoln Gakiya, do Ministério Público de São Paulo, disse não ter informações que liguem Shimada ao PCC.
A Corregedoria agora analisará os fatos para determinar se houve irregularidades por parte do delegado. A SSP não divulgou prazo para conclusão do procedimento.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/audio-citado-pela-pf-leva-corregedoria-a-abrir-apuracao-sobre-delegado


