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São Paulo

PF aponta que grupo sancionado pelos EUA usou sistema Zelle para lavar dinheiro do PCC

Investigação da Polícia Federal revela que brasileiros ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) utilizaram o Zelle, sistema de transferências dos EUA, para lavar dinheiro de origem ilícita.

A Polícia Federal investiga brasileiros ligados ao PCC que usaram o sistema Zelle para lavar dinheiro. Foto: metropoles.com

Raphael Nogueira Felix
7 de julho de 202615:36
Atualizado agora há pouco às 18:57

A Polícia Federal identificou que um grupo de brasileiros sancionado pelos Estados Unidos por supostos vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC) utilizou o sistema Zelle, uma plataforma de transferências digitais norte-americana, para lavar dinheiro. A informação consta em investigação que apura a atuação de Victor Henrique de Oliveira Shimada e seus associados.

O Zelle, criado em 2016, é uma rede privada de transferências operada pela Early Warning Services, controlada por grandes bancos dos EUA, como Bank of America, JPMorgan Chase e Wells Fargo. Diferente do Pix brasileiro, não é administrado pelo governo. O sistema chegou a ser citado pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro como alternativa ao Pix, em um gesto ao governo Donald Trump.

Segundo a PF, o grupo de Shimada usava o Zelle como parte de um esquema de lavagem de dinheiro que envolvia criptoativos, dinheiro em espécie e remessas internacionais. Um dos investigados, Leandro Proença, egresso do sistema prisional, teria operacionalizado transferências para os EUA utilizando o Zelle e o Wells Fargo, com dados vinculados à empresa Ibra Administração e Representação LTDA, de Ivan Moreira Brasil.

Em uma mensagem, Leandro mencionou uma transação nos EUA: “Mandar la Wells / La fora ok”, referindo-se ao Wells Fargo. No mesmo dia, ele enviou dados de uma conta Zelle em nome de Ivanbrasil49@gmail.com, que a polícia acredita pertencer a Ivan Moreira Brasil, indicando que os valores eram remetidos ao exterior por contas controladas pelo grupo.

Outro parceiro de Shimada, Ygor Fokin Saviolli, também utilizava o Zelle para transferências internacionais destinadas ao pagamento de drogas. Em junho de 2022, foi identificado um depósito de US$ 10.002 via Zelle para uma conta no Bank of America em nome de um terceiro.

O Departamento do Tesouro dos EUA sancionou Shimada, Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, três empresas brasileiras (Victory Trading, Pixwave Soluções de Pagamentos e Wave Construções Inteligentes) e uma portuguesa (Avenidas Flutuantes Unipessoal). A sanção ocorreu após os EUA classificarem o PCC como organização terrorista, sendo a primeira vez que aplicaram sanções por elo com a facção.

A Victory Trading, da qual Shimada é sócio, também é investigada em um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o Corinthians e a patrocinadora Vai de Bet. Segundo o governo americano, a empresa foi usada para lavar dinheiro roubado de um clube de futebol brasileiro em um esquema de fraude publicitária.

A defesa de Victor Shimada afirmou que não teve acesso aos documentos oficiais e negou veementemente qualquer envolvimento com organização criminosa ou lavagem de dinheiro, prometendo analisar o caso com profundidade após ter acesso aos autos.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/grupo-de-sancionado-pelos-eua-usou-pix-americano-para-lavar-dinheiro

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