A Polícia Federal (PF) investiga uma rede que operava como um banco clandestino internacional, com atuação em pelo menos seis países. O grupo, atribuído ao empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, realizava transações financeiras à margem do sistema oficial de câmbio, movimentando reais, dólares e euros.
De acordo com a PF, o esquema era baseado em compensações: um operador recebia dinheiro em um país e outro liberava o valor equivalente no destino indicado pelo cliente. As operações envolviam entregas em espécie, transferências bancárias e uso de criptoativos.
As investigações apontam que o grupo atuava no Brasil, Estados Unidos, Portugal, Paraguai, Argentina e Colômbia. Em uma das conversas analisadas, um cliente negociava o recebimento de US$ 50 mil em guaranis no Paraguai, com contrapartida em reais no Brasil via transferência bancária.
Outra tratativa envolvia 1 bilhão de pesos argentinos depositados em Buenos Aires, que seriam convertidos em reais no Brasil, totalizando mais de R$ 3,4 milhões. Também foram identificadas entregas de euros em Portugal, como um valor de € 70 mil recebido em Cascais.
Nos Estados Unidos, uma planilha registrava operações que somavam mais de US$ 7,5 milhões, distribuídas por cidades como Houston, Chicago, Denver, Atlanta, Cleveland, Nashville, Memphis e Los Angeles. Mensagens indicavam que havia US$ 2 milhões para retirar em Houston e US$ 5 milhões em Chicago.
O grupo utilizava codinomes para se referir ao dinheiro em espécie, chamado de “papel” ou “vivo”, enquanto “azul” se referia a dólares. Também negociavam tokens e transferiam criptomoedas, principalmente USDT. Em uma operação, um investigado enviou US$ 2 milhões em criptomoedas para testar o endereço e depois transferiu mais de 179 mil USDT.
Victor Shimada é apontado como o operador financeiro central da estrutura investigada na Operação Exchange, deflagrada em 3 de julho para apurar lavagem de recursos do tráfico internacional de drogas. As análises identificaram movimentações superiores a R$ 10 bilhões, e a Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 10,4 bilhões em bens e criptoativos.
Shimada está foragido desde o dia 3, quando teve a prisão decretada. Ele foi sancionado pelo governo dos Estados Unidos dois dias antes da operação. A PF afirma que a divulgação antecipada de seu nome e fotografia prejudicou as diligências para prendê-lo. As autoridades norte-americanas ligam Shimada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), mas o Ministério Público de São Paulo nega ter informações que comprovem essa relação.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/grupo-de-alvo-dos-eua-operava-como-banco-clandestino-em-6-paises


