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São Paulo

Brasileiro sancionado pelos EUA usava criptomoedas e Pix para movimentar bilhões fora do radar

Victor Shimada, suspeito de liderar esquema de lavagem de dinheiro, atualizou o clássico dólar-cabo com tecnologia digital e operava em cinco países.

Victor Shimada, suspeito de liderar esquema de lavagem de dinheiro, usava criptomoedas e Pix para movimentar bilhõesFoto: metropoles.com
Raphael Nogueira Felix
10 de julho de 202603:10
Atualizado agora há pouco às 06:10

A Polícia Federal (PF) descobriu um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro que movimentou bilhões de reais fora do controle das autoridades. O brasileiro Victor Shimada, sancionado pelo governo dos Estados Unidos por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), é apontado como líder da organização criminosa.

De acordo com relatório da PF obtido pelo Metrópoles, o grupo utilizava uma versão moderna do chamado dólar-cabo, sistema de câmbio clandestino que permite transferir valores entre países sem que o dinheiro cruze fronteiras fisicamente. No lugar de malas de dinheiro, a quadrilha empregava criptomoedas e sistemas de pagamento digital.

O esquema funciona por meio de compensações de créditos entre países, sem transferências bancárias tradicionais. No exterior, membros da organização recebem valores em euros, dólares, pesos argentinos ou guaranis paraguaios. No Brasil, o grupo de Shimada entrega o equivalente em reais ao destinatário local.

As investigações apontam que o uso de criptoativos como Bitcoin e USDT (Tether) tornou o sistema mais ágil e difícil de rastrear. Planilhas de tokens apreendidas pela PF revelaram movimentações de US$ 7,5 milhões em cidades como Houston, Chicago e Los Angeles.

Além das criptomoedas, o grupo utilizava o Zelle, sistema de pagamento eletrônico dos EUA similar ao Pix brasileiro. Segundo a PF, transferências via Zelle e contas no Wells Fargo estariam ligadas a transações de tráfico de haxixe, codificado nos diálogos como “iphone”.

Apesar da alta tecnologia, o esquema ainda dependia de dinheiro vivo, chamado internamente de “papel” ou “vivo”. Essa parte era operada por pessoas no Brasil, responsáveis por coletar e entregar malas de dinheiro.

As operações ocorriam em ao menos cinco países: Brasil, Estados Unidos, Portugal, Paraguai e Argentina. Em uma conversa interceptada pela PF, o investigado Carlos Henrique Costa Almeida pergunta se Shimada teria euros para vender, pois um ex-membro do PCC “estaria solicitando esse tipo de serviço, a fim de receber cerca de um milhão no Brasil”.

Victor Shimada é considerado foragido e teve a prisão preventiva decretada pela Justiça. A PF continua as investigações para localizar outros envolvidos e rastrear ativos.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/esquema-de-dolar-cabo-moderno-sancionado-eua

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