O estado de São Paulo registrou alta expressiva nos casos de violência contra a mulher nos primeiros cinco meses de 2026. Dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) apontam que o número de vítimas de violência doméstica superou 154 mil, uma média de cerca de mil ocorrências por dia. O total representa um aumento de 14,6% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 135 mil casos.
Os feminicídios também tiveram crescimento significativo, passando de 108 para 125 ocorrências, uma alta de 15,7%. Entre os casos emblemáticos está a morte da soldado da PM Gisele Alves Santana, de 32 anos, cujo ex-companheiro, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, é apontado como autor do crime e está preso na capital paulista.
A análise dos boletins de ocorrência revela que todos os tipos de crimes previstos na Lei Maria da Penha apresentaram aumento. As ameaças lideram o ranking, com 46.653 vítimas entre janeiro e maio de 2026, contra 41.114 no ano anterior — crescimento de 13,5%.
Lesões corporais dolosas subiram 11,1%, passando de cerca de 28 mil para aproximadamente 31 mil registros. Já os crimes contra a honra (calúnia, difamação e injúria) cresceram 9%, totalizando mais de 35 mil vítimas. As perseguições (stalking) tiveram alta de 26,6%, saltando de 13.975 para 17.698 casos.
O descumprimento de medidas protetivas aumentou 17,8%, de 9.498 para 11.185 vítimas. Invasões de domicílio cresceram 42,8% (de 1.304 para 1.862), e o constrangimento ilegal disparou 78,9%, embora em números absolutos menores (de 57 para 102).
A divulgação não autorizada de fotos e vídeos íntimos subiu 41,4%, passando de 307 para 434 ocorrências. Os crimes contra a dignidade sexual tiveram alta de 53%, de 419 para 641 vítimas.
Em meio ao cenário de aumento da violência, o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) promoveu mudanças na segurança pública, incluindo a nomeação da coronel Glauce Anselmo Cavalli como a primeira mulher a comandar a Polícia Militar de São Paulo.
Especialistas apontam que os números refletem tanto o agravamento da violência de gênero quanto a maior disposição das vítimas em denunciar. A SSP reforça a importância de canais de denúncia, como o Ligue 180 e as delegacias especializadas.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/feminicidio-e-parte-mais-visivel-de-explosao-da-violencia-contra-mulheres


