Quinze dias depois da saída de Michelle Bolsonaro da presidência do PL Mulher, pré-candidatas do partido ainda enfrentam um cenário de dúvidas sobre a distribuição de verbas de campanha e o futuro das candidaturas que ela incentivava. A ex-primeira-dama deixou o cargo em 1º de julho, após uma reunião com o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, na esteira da divulgação de um vídeo em que criticava o enteado Flávio Bolsonaro.
O plano de Michelle previa a criação de diretórios estaduais e a nomeação de lideranças femininas para coordenar núcleos municipais, com o objetivo de ampliar o número de candidatas do partido. A ideia era que as cotas de recursos e registros de candidaturas destinadas às mulheres não fossem apenas um cumprimento formal da legislação, mas uma estratégia para aumentar a representatividade feminina na política.
Em 2024, a iniciativa deu resultados expressivos em diversos estados, com um crescimento significativo no número de vereadoras eleitas pelo PL. Para isso, Michelle pressionava os presidentes dos diretórios estaduais a destinarem verbas suficientes para viabilizar as candidaturas femininas.
Com o afastamento de Michelle, aliadas avaliam que o PL Mulher perdeu seu comando e a instância de cobrança que ela exercia sobre os dirigentes estaduais. Uma das últimas determinações da ex-primeira-dama foi solicitar que as presidentes estaduais elaborassem listas de potenciais candidatas para as eleições de 2026. Os nomes foram encaminhados aos presidentes dos diretórios, mas agora há incerteza sobre a continuidade dessas candidaturas.
Antes da saída de Michelle, Valdemar Costa Neto afirmou a diretoras dos núcleos estaduais que daria prosseguimento aos acordos firmados por ela. No entanto, a promessa ainda não dissipou as preocupações entre as pré-candidatas.
A saída de Michelle ocorreu em meio a tensões internas no partido. O vídeo publicado por ela em 24 de junho, no qual diz ter sido maltratada por Flávio Bolsonaro, gerou alvoroço na pré-campanha do senador, que é pré-candidato à Presidência. Dias depois, o youtuber Paulo Figueiredo, apoiador de Flávio, afirmou em uma live que “mulheres não sabem votar”, declaração que causou desconforto no eleitorado feminino.
Flávio Bolsonaro pediu desculpas pela fala do influenciador durante um evento com mulheres conservadoras, mas o ato não contou com a presença de Michelle nem da senadora Damares Alves, sua aliada.
A situação expõe as fragilidades na estrutura de apoio às candidaturas femininas no PL, que dependiam diretamente da atuação de Michelle. Sem ela, as pré-candidatas aguardam uma definição sobre os recursos e o respaldo necessário para suas campanhas.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/michelle-mulheres-pl-boicote


