A investigação sobre a morte do advogado carioca Pedro Ely Cordeiro dos Santos, de 43 anos, encontrado sem vida na Vila Madalena, zona oeste de São Paulo, ainda enfrenta dificuldades para esclarecer o que ocorreu nas horas anteriores ao crime. A identidade da vítima foi confirmada na terça-feira (14/7) após reconhecimento de familiares no Instituto Médico Legal (IML).
O advogado da família, Marcelo Martins Ferreira, descreveu o caso como repleto de pontos obscuros. "Está tudo muito confuso", afirmou, destacando que a principal dificuldade é reconstituir os últimos deslocamentos de Pedro.
Pedro havia viajado do Rio de Janeiro para São Paulo e, na noite de 9 de julho, feriado estadual, saiu para assistir a jogos da Copa do Mundo em bares da região. Na madrugada do dia 10, foi encontrado morto na Rua Fradique Coutinho, sem celular e documentos. A Polícia Civil registrou o caso como morte suspeita.
A principal lacuna apontada pela defesa é o período entre a saída da Vila Madalena, a passagem por Moema — onde ele estava hospedado — e o retorno ao local da morte. A expectativa é que imagens de câmeras de segurança e registros de corridas por aplicativo ajudem a preencher esse intervalo.
"Esse ‘delay’ de tempo é o checkmate da investigação. É aí que vai se encontrar a autoria do crime", disse Marcelo Martins Ferreira.
As movimentações financeiras após o desaparecimento também são alvo de análise. Houve uma tentativa de transferência via Pix de R$ 9,8 mil, que não foi concluída, e uma compra de R$ 20 em uma adega com o cartão da vítima. Para o advogado, esses dados podem identificar quem esteve com Pedro nas últimas horas.
Embora a causa da morte dependa de laudos periciais, a principal hipótese da defesa é o golpe conhecido como "Boa Noite, Cinderela". A suspeita se baseia na ausência de lesões aparentes e nas movimentações financeiras registradas.
"Nós acreditamos que tenha sido um ‘Boa Noite, Cinderela’ e que quem aplicou isso exagerou na dose. Ele pode ter entrado em óbito por morte súbita", afirmou Marcelo Martins Ferreira.
O advogado da família pediu à Polícia Civil que aprofunde a análise de imagens, registros de aplicativos, movimentações bancárias e uso do cartão de crédito. O inquérito tramita sob segredo de Justiça.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/tudo-muito-confuso-diz-defesa-sobre-morte-de-advogado-carioca-em-sp


