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São Paulo

Moradores de São Paulo se opõem a voos noturnos em Congonhas e temem piora no barulho

Associações de moradores e entidades se manifestaram contra a flexibilização do horário de operação do Aeroporto de Congonhas, que pode permitir voos excepcionais após as 23h. O barulho constante já afeta a qualidade de vida na região.

Congonhas: plano para voos excepcionais após as 23h apavora moradores - destaque galeria
Raphael Nogueira Felix
17 de julho de 202617:07
Atualizado agora há pouco às 20:07

O Aeroporto de Congonhas, localizado na zona sul de São Paulo, é um dos mais movimentados do país, com mais de 590 voos diários. A cada dois minutos e meio, um avião pousa ou decola, gerando um ruído que, segundo moradores, torna o descanso quase impossível entre 6h e 23h. Agora, um pedido da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) para permitir operações excepcionais fora desse horário acendeu o alerta entre as comunidades vizinhas.

A proposta, em análise pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), prevê que voos possam ocorrer antes das 6h ou após as 23h em situações como eventos meteorológicos adversos, com o objetivo de reduzir transtornos aos passageiros. No entanto, moradores temem que o que seria exceção se torne regra, agravando o problema do barulho.

Na quinta-feira (17/7), cerca de 20 associações de moradores se reuniram em uma audiência pública na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) para manifestar oposição à ideia. As entidades assinaram uma nota de repúdio conjunta, alertando para o risco de a situação se tornar insustentável para quem vive nos arredores do aeroporto.

Stefânia Muniz, moradora de Moema, a cerca de 3 km de Congonhas, descreve o impacto do barulho em sua rotina. Ela conta que a família só consegue descansar quando os aviões param de circular, e que as janelas tremem com a passagem das aeronaves. "De manhã, os aviões acordam todo mundo, as janelas tremem, não é possível descansar depois", relata.

Stefânia também observa que o barulho piorou nos últimos dois anos, com aviões voando mais baixo sobre a região. Ela critica a falta de controle sobre o que seria uma emergência: "Quem vai fazer esse controle do que é uma emergência? Não é possível sacrificar toda a comunidade, as milhares de pessoas que moram em volta do aeroporto", questiona.

O consultor de aviação Claudio Louzada, que trabalha com as associações de moradores, aponta que um protocolo de redução de ruídos, conhecido como NADP 1, deveria ter sido implementado em Congonhas, mas não saiu do papel. Esse procedimento prevê que, nas decolagens pela Pista 35 em direção a Moema, as aeronaves atinjam 1.040 metros de altitude antes de fazer a curva sobre o Parque Ibirapuera, minimizando o barulho. Atualmente, a altitude média é de apenas 277 metros.

A falta de aplicação das medidas de mitigação preocupa os moradores, que veem na flexibilização do horário uma ameaça ao já escasso sossego. Para eles, a ampliação dos horários de voo representa um retrocesso na luta por qualidade de vida na região.

Enquanto a Anac analisa o pedido da Abear, as associações prometem continuar mobilizadas, cobrando transparência e a efetivação de políticas de redução de ruído. O debate coloca em lados opostos a conveniência dos passageiros e o direito ao descanso de milhares de famílias que residem no entorno de um dos aeroportos mais estratégicos do país.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/congonhas-plano-para-voos-excepcionais-apos-as-23h-apavora-moradores

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