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São Paulo

Obra na Estação Sumaré completa 30 anos e artista ainda recebe mensagens de passageiros

Instalada em 1998, a obra de Alex Flemming na Estação Sumaré se tornou um marco do metrô paulista, com retratos e poesias que encantam os usuários até hoje.

Kauê Agostinho/Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
18 de julho de 202602:07
Atualizado agora há pouco às 05:07

Há quase três décadas, a Estação Sumaré, na Linha 2-Verde do Metrô de São Paulo, abriga uma obra de arte que se tornou uma das mais queridas pelos passageiros. Criada pelo artista Alex Flemming, a instalação foi inaugurada em 1998 e, desde então, atrai olhares e desperta curiosidade. O próprio autor revela que ainda recebe mensagens de pessoas que elogiam o trabalho ou fazem perguntas sobre ele.

“Tenho um carinho imenso por ela e fico muito feliz ao saber que ela também é muito querida e reconhecida pelo público”, afirmou Flemming em visita recente à estação.

A ideia da obra surgiu no final dos anos 1980, quando o artista participou de um concurso público para criar projetos em novas estações de metrô. Ele enxergou nos vidros e na iluminação do local um suporte ideal para sua arte e uma forma de retratar a população anônima da cidade. Para isso, montou um estúdio fotográfico no Museu de Arte de São Paulo (Masp) em um domingo e convidou pessoas que conhecia e também transeuntes para serem fotografadas.

“Então eu montei um pequeno estúdio fotográfico no Masp, em um domingo. E convidei várias pessoas para serem retratadas. Pessoas que eu conheço e pessoas que estavam passando na rua. Fiz um sorteio para trazer pessoas de várias etnias, porque, para mim, uma das coisas mais importantes do nosso país é a miscigenação”, explicou o artista.

Sobre os retratos, Alex escreveu poesias de autores brasileiros consagrados dos últimos cinco séculos. Como a obra foi inaugurada pouco antes dos 500 anos da chegada dos portugueses ao Brasil, ele escolheu poemas que retratam o período, começando com José de Anchieta, no século XVI, e terminando com Haroldo de Campos, no século XX. As poesias foram escritas de forma não convencional, com letras deitadas e separadas, para incentivar os passageiros a decifrá-las.

O artista destaca que a intenção é que as pessoas tenham empatia e respeito pelo outro. “Quero que as pessoas decifrem o outro. Todos nós temos poesia, todos nós temos amor dentro de si (…). Eu acho importante as pessoas reverenciarem o outro, terem carinho pela pessoa anônima que está na nossa frente, respeito, empatia e entendimento dela”, disse.

Os rostos foram escolhidos com base na diversidade: anônimos como um segurança do Masp, a foto do próprio passaporte de Flemming e de um amigo de faculdade. O curador de arte Baixo Ribeiro, que estudou com Alex na USP, foi um dos modelos. “Ele falou: ‘Vou fazer algumas fotos no Masp, quero uma cara bem gente, bem povo’. Eu tenho ascendência indígena e japonesa, então respondi: ‘Sou a cara perfeita para isso, quero fotografar’”, relembrou.

Baixo Ribeiro, que também é criador da galeria Choque Cultural, conta que ainda recebe mensagens de amigos e conhecidos que passam pela estação. “É uma delícia. Eu já estou velho, estou com outra cara, mas, por algum motivo, as pessoas reconhecem. Então é como se eu tivesse ganhado um prêmio, fico muito feliz de estar junto lá.” Ele brinca que os netos adoram descer na estação só para tirar foto na frente do “vovô”.

Desde a inauguração, a obra se tornou uma das paisagens mais marcantes do metrô paulista. O curador avalia que o trabalho criou um laço afetivo com a população. “Não é porque é uma obra pública que ela necessariamente seja popular. Mas esse é um trabalho que já criou um laço afetivo com a população. As pessoas esperam chegar na estação para ter aquele alumbramento, para ter aquele momento de reflexão visual. É um conjunto de percepção da própria cidade”, destacou.

Passageiros como o montador de móveis Odair Silva dedicam alguns minutos para observar a obra enquanto aguardam o trem. “Ajuda bastante na mente da gente. Toma um tempo legal de descobrir [o que está escrito]”, disse. O procurador Rodrigo Vicente, que já pesquisou explicações sobre a obra, acredita que ela traz leveza e poesia ao cotidiano. “Ajuda as pessoas a terem um minutinho nessa corrida diária do seu cotidiano para poder respirar e receber influxos de outras naturezas que não sejam do trabalho. Para isso que a arte serve também, para ajudar a gente a refletir um pouco.”

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/estacao-sumare-autor-obra-mensagens

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