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São Paulo

Vereador pede investigação sobre evento de R$ 5 milhões no Anhangabaú com dispensa de licitação

O vereador Nabil Bonduki (PT) acionou o Ministério Público para apurar suspeitas de irregularidades na organização do Fan Zone Anhangabaú, evento financiado pela Prefeitura de São Paulo com contrato de R$ 5 milhões sem licitação.

FanFoto: Zone Anhangabaú/Divulgação
Raphael Nogueira Felix
18 de julho de 202607:35
Atualizado agora há pouco às 10:35

O vereador Nabil Bonduki (PT) solicitou ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) a abertura de um inquérito civil para investigar possíveis irregularidades na organização do Fan Zone Anhangabaú, evento que ocorreu no centro da capital paulista com transmissão de jogos da Copa do Mundo e shows. A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Turismo, contratou a empresa Now Sports por R$ 5 milhões com dispensa de licitação.

De acordo com a representação protocolada na quinta-feira (16/7), o contrato foi assinado pela gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) apenas dois dias antes do início do evento. Esse curto intervalo levanta suspeitas de que a montagem da estrutura pode ter começado antes da formalização legal do acordo.

A justificativa para a escolha da Now Sports foi baseada em um licenciamento da CazéTV, detentora dos direitos de exibição da Copa, mas o pedido questiona a falta de provas de que apenas essa empresa poderia realizar o contrato. A situação é considerada ainda mais sensível porque o evento ocupou o Vale do Anhangabaú, espaço público concedido à iniciativa privada.

O documento aponta que parte do orçamento, no valor de R$ 700 mil, foi destinada ao pagamento da concessionária Viva o Vale pela locação do espaço. Isso representa 14% do total do projeto. Bonduki questiona se o município pagou pela ocupação de um espaço já concedido e se a concessionária também obteve receitas com alimentação, bebidas e outras explorações comerciais durante o evento.

Embora o plano de trabalho indicasse que o evento seria integralmente custeado com recursos públicos, a empresa Binance atuou como patrocinadora, realizando ativações comerciais e captação de clientes. Há suspeitas de que a Now Sports tenha lucrado com patrocínios privados em uma estrutura paga pelos cofres públicos, sem repassar os valores ao município.

O vereador também destacou que o Fan Zone Anhangabaú exigiu dados pessoais excessivos dos participantes, inclusive de menores de idade, o que pode violar a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O evento, que previa público de 500 mil pessoas, registrou baixa frequência na maioria dos dias, conforme registros feitos pelo próprio parlamentar.

Procurada, a Prefeitura de São Paulo não se manifestou até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto para esclarecimentos.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/mpsp-evento-prefeitura-anhangabau

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