A imposição de tarifas adicionais de 25% sobre produtos brasileiros pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desde abril de 2025, transformou a política externa em um dos principais temas da campanha eleitoral em São Paulo. O assunto, que antes era tratado apenas no âmbito nacional, agora ganhou força nas disputas estaduais, especialmente entre os pré-candidatos ao governo paulista.
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ex-ministro Fernando Haddad (PT) têm usado o tarifaço como arma política. Haddad critica abertamente a postura de Tarcísio, que inicialmente apoiou as medidas de Trump e depois mudou de discurso. O petista chegou a classificar o governador como 'submisso' ao presidente americano, em entrevista concedida em abril.
Tarcísio, por sua vez, rebateu as acusações e questionou a relevância do tema para a gestão estadual. "O que tem a ver o Estado de São Paulo com o Trump? A gente não faz política externa aqui", afirmou o governador em maio. No entanto, sua trajetória anterior, que incluiu o uso de um boné com o slogan 'Maga' (Make America Great Again) e declarações favoráveis às negociações com os EUA, é agora explorada pela oposição.
Para o estrategista político Felipe Soutello, a pauta internacional nas eleições estaduais é uma novidade. "Isso é uma novidade no cenário eleitoral. Tem governadores brasileiros que se conectaram a esse movimento MAGA e agora precisam explicar por que apoiaram um caminho que prejudica o Brasil", analisou.
A pré-candidata ao Senado por São Paulo, Marina Silva (Rede), também entrou no debate, cobrando explicações de Tarcísio sobre sua proximidade com Trump. "Ele tem que se explicar por que botou o chapéu do adversário e por que é amigo de quem é inimigo do povo brasileiro", disse a ex-ministra em evento recente.
Enquanto isso, a pré-campanha de Tarcísio avalia que Haddad tenta nacionalizar a disputa de forma equivocada. "Não há uma conexão do tarifaço com o governador Tarcísio, ainda que ele apoie o Flávio (Bolsonaro)", afirmou um integrante da equipe, sob anonimato. O senador Flávio Bolsonaro (PL) é pré-candidato à Presidência e também tem sido pressionado a se posicionar sobre as tarifas.
O impacto do tarifaço é especialmente sentido em São Paulo, estado mais industrializado e exportador do país. Haddad, durante almoço com representantes do setor sucroenergético, defendeu a inclusão do tema na campanha e lembrou sua atuação como ministro da Fazenda na aprovação do Plano Brasil Soberano, que visa proteger a economia de barreiras comerciais inesperadas.
Pesquisa Genial/Quaest recente aponta que mais da metade da população brasileira acredita que o encontro de Eduardo Bolsonaro (PL) com Trump motivou o novo tarifaço. O ex-deputado chegou a comemorar a medida em julho de 2025, dizendo que, se houver "cenário de terra arrasada, pelo menos estarei vingado".
Apesar das críticas, o Palácio dos Bandeirantes optou por não se pronunciar oficialmente sobre o tarifaço anunciado em 15 de julho. A expectativa é que o tema continue aquecendo os debates eleitorais nos próximos meses, à medida que a campanha avança.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/tarifaco-de-trump-traz-agenda-internacional-ao-debate-eleitoral-em-sp


