Um empresário apontado como operador financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) foi preso nesta terça-feira (21) durante uma operação do Ministério Público de São Paulo (MPSP). A investigação aponta que ele teria intermediado pagamentos de propina a policiais civis do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).
Em um áudio enviado a um interlocutor identificado como Bruno, Cléber Azevedo dos Santos pede R$ 100 mil para supostamente pagar policiais do Deic. Na mensagem, ele não especifica o nome do agente público que receberia o valor.
"Deixa eu te falar, aquele cliente meu lá, o Caio, precisa de R$ 100 mil para trocar. Mandar a TED e pegar em vivo, porque ele precisa pagar 'os polícia' aí do Deic, porque ele teve um problema. Tem cem para ajudar ele aí?", questiona Cléber no áudio.
Em outra gravação, desta vez para Amjad Ahmad, também suspeito de atuar como operador financeiro da facção, Cléber relata um suposto pedido de pagamento feito por policiais do setor de crimes cibernéticos do Deic. Segundo ele, os agentes queriam R$ 300 mil.
"O, meu amigo, como é que cê tá? Tudo bom? Espero que esteja tudo bem. Deixa eu te fazer uma pergunta. Aquela vez que te ajudaram lá no Deic… eu tô com um problema lá. Caí num golpe que eu te falei lá. O cara colocou um dinheiro ruim na minha conta. Bloqueou 11 conto e tô com 5 pau bloqueado. Foi um golpe mesmo. Eu tenho as pessoas tenho tudo. Além de tudo os caras querem indiciar o Robson, e ainda querem tomar 300 conto dele", afirmou Cleber.
Na representação que deu origem a 18 mandados expedidos pela Justiça estadual, os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) afirmam que Cléber mantinha relações pessoais com policiais militares, participando com eles de eventos e celebrações.
A investigação também cita pelo menos três coronéis da Polícia Militar de São Paulo: José Augusto Coutinho, ex-comandante geral da PM exonerado em abril por suspeita de ligação com o PCC; Pereira Martins, diretor de ensino da corporação; e um terceiro identificado como "Patrício". Em áudio, Cléber detalha sua proximidade com a cúpula da PM.
"Fala pra ele que é o coronel Pereira Martins, diretor de ensino. Coronel Pereira Martins e o Coronel Coutinho, que está na Rota hoje, que é da Rota, do Choque, ele comanda tudo: Rota, Choque… que é amigo do Robson, amigo do coronel", afirma Cléber.
Os promotores juntaram ao relatório uma imagem em que o coronel Pereira Martins aparece ao lado de Cléber Azevedo dos Santos, em uma festa. O oficial sorri enquanto o investigado segura uma garrafa e um copo de cerveja.
A Operação Janus investiga a atuação de operadores financeiros em benefício do PCC. Os alvos são suspeitos de movimentar recursos, converter dinheiro em espécie em transferências bancárias e ocultar valores atribuídos à facção.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/suposto-operador-do-pcc-pede-r-100-mil-para-pagar-os-policia-do-deic


