Fotografias obtidas com exclusividade pelo Metrópoles revelam que o coronel da reserva Luiz Carlos Pereira Martins, da Polícia Militar de São Paulo, passou a virada do ano de 2023 ao lado de um empresário suspeito de integrar um esquema de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC). As imagens foram publicadas pela esposa do oficial nas redes sociais e posteriormente apagadas.
Em uma das fotos, registrada durante a madrugada do Ano Novo de 2023, Pereira Martins aparece ao lado de Cléber Azevedo dos Santos, apontado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) como um dos operadores financeiros da facção criminosa. Na legenda, a esposa do coronel escreveu: “Amigos sempre juntos”. A imagem mostra ainda crianças e adultos posando perto de uma piscina.
Outra imagem, também retirada do ar, mostra o casal em um restaurante com cerca de 20 pessoas. Na mesa, estavam Cléber e o advogado Antonio Carlos Ubaldo Júnior, preso em março pela Polícia Federal na Operação Bazaar, que investigou corrupção policial e lavagem de dinheiro.
As fotos ampliam os elementos usados pelos promotores para sustentar que a relação entre Pereira Martins e os operadores não era apenas profissional ou ocasional. Em documento encaminhado à Justiça, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) afirma que Cléber e o empresário Robson Martins de Souza mantinham uma relação de amizade com o coronel, mesmo após ambos se tornarem alvos de operações policiais.
Os dois voltaram a ser alvos do MPSP em julho, na Operação Janus, que investiga uma estrutura financeira que, segundo o Gaeco, movimentava e ocultava recursos para integrantes e colaboradores do PCC. A investigação aponta que o esquema utilizava empresas de fachada e contas bancárias para lavar dinheiro da facção.
O coronel Pereira Martins é da reserva da PM e, até o momento, não se manifestou publicamente sobre as acusações. O MPSP não informou se o oficial é investigado formalmente na Operação Janus, mas as fotografias reforçam a tese de proximidade com suspeitos de integrar a organização criminosa.
As imagens foram obtidas pela reportagem antes de serem apagadas das redes sociais. A defesa de Pereira Martins não foi localizada para comentar o caso. O espaço segue aberto para manifestações.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/amigos-sempre-juntos-coronel-da-pm-passou-ano-novo-com-operador-do-pcc


