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São Paulo

Roubos de celulares em Pinheiros crescem 21,5% e bairro lidera ranking na capital

Apesar do monitoramento intenso e da presença policial, os roubos e furtos de celulares em Pinheiros aumentaram 21,5% em 2026, com mais de 4.600 casos registrados, na contramão da tendência da cidade.

Imagem mostra uso do celular em PinheirosFoto: William Cardoso/Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
7 de setembro de 202602:47
Atualizado agora há pouco às 05:47

Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, é um dos bairros mais vigiados da capital, com câmeras de segurança espalhadas pelas ruas e um policiamento ostensivo. Mesmo assim, os roubos e furtos de celulares cresceram 21,5% nos primeiros sete meses de 2026, totalizando mais de 4.600 ocorrências, ante cerca de 3.800 no mesmo período do ano anterior.

Os números contrariam a tendência da cidade como um todo, que registrou queda nesse tipo de crime. O 14º Distrito Policial, responsável pela região, concentra a maior média de casos na capital, com mais de 22 registros por dia na Polícia Civil, de janeiro a julho.

Levantamento feito com base em dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP) mostra que oito vias do bairro que já estavam no ranking das mais afetadas em 2025 continuam entre as dez primeiras. Apenas duas delas tiveram redução nos índices, enquanto algumas vias viram os casos mais que dobrarem. No total, mais de 280 ruas de Pinheiros registraram ao menos um roubo ou furto de celular no período.

Para o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e especialista em segurança pública, Rafael Alcadipani, o caso de Pinheiros evidencia a falta de integração entre os recursos disponíveis. «Pinheiros é um caso que mostra como as nossas formas de fazer segurança pública não conseguem dar conta da realidade de hoje. Tem todo um aparato de câmeras, aparato policial, mas essas coisas não são integradas», afirma.

O especialista defende a criação de um estudo detalhado para integrar as forças de segurança e usar a tecnologia de forma inteligente. «Pinheiros poderia ser um modelo onde você criaria um patrulhamento e policiamento inteligentes, utilizando-se, no limite, de todas as capacidades que existem», completa.

Outro ponto destacado por especialistas é a necessidade de combater a receptação dos aparelhos. A facilidade de fugas rápidas e a grande população circulante no bairro também são fatores que contribuem para a persistência do crime. Além disso, o alto poder aquisitivo dos moradores atrai ladrões, que preferem modelos caros: 71% dos celulares levados em Pinheiros entre janeiro e julho são iPhones.

A SSP informou que realiza operações estratégicas e reorienta o policiamento preventivo na região. No entanto, a rotina de violência se estende há anos, e os registros de roubos e furtos seguem em alta, mesmo com a superexposição dos casos nas redes sociais e na mídia.

Moradores e comerciantes relatam que a sensação de insegurança aumentou, e muitos já adotam medidas extras, como segurar o celular com as duas mãos ou evitar usar o aparelho na rua. A situação, no entanto, não se resolve apenas com ações individuais, e a cobrança por uma atuação mais eficaz do poder público é constante.

O levantamento foi feito com base nos dados oficiais da SSP, que mostram a chamada «resiliência do crime» em pontos críticos já conhecidos das autoridades. A análise aponta que, mesmo com câmeras e queixas, a falta de uma ação coordenada entre os órgãos de segurança mantém o problema longe de uma solução.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/policia-cameras-e-queixas-nao-freiam-roubos-de-celulares-em-pinheiros

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