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São Paulo

Demolição do Samba do Cruz marca fim de tradição no Campo de Marte

Após batalha judicial, o espaço onde ocorria o Samba do Cruz será demolido no dia 29 de julho para dar lugar ao Parque Municipal Campo de Marte, na zona norte de São Paulo.

justiça samba do cruz demolido campo de marteFoto: Reprodução/Samba do Cruz
Raphael Nogueira Felix
24 de julho de 202615:59
Atualizado agora há pouco às 18:59

O Samba do Cruz, tradicional evento cultural que acontecia no Campo de Marte, zona norte de São Paulo, terá seu espaço demolido na próxima quarta-feira, 29 de julho. A decisão encerra uma disputa judicial que se arrastava desde março entre os organizadores e a Prefeitura de São Paulo, que planeja construir o Parque Municipal Campo de Marte no local.

A área de quase 15 mil metros quadrados, onde funcionava o Grêmio Esportivo Recreativo Cruz da Esperança, foi ocupada desde 1958 pela comunidade. No entanto, a Justiça considerou a ocupação irregular e determinou a reintegração de posse para viabilizar o projeto de lazer criado em 2024.

"Infelizmente, nossa luta não foi suficiente para sensibilizar o prefeito Ricardo Nunes (MDB) juntamente com a concessionária que não deu a devida importância à preservação da nossa história, da nossa cultura e da nossa relevância da Cruz da Esperança para a comunidade. A demolição ficou prevista para o dia 29 de julho", publicou o perfil do Samba nas redes sociais.

A batalha judicial começou em março, quando a 9ª Vara da Fazenda Pública determinou a reintegração de posse imediata. O juiz Bruno Santos Montenegro, no entanto, reconsiderou parcialmente a medida após pedido do Grêmio, concedendo 60 dias para desocupação. A prefeitura recorreu, e em maio o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) restabeleceu a ordem de despejo imediato, com possibilidade de uso de força policial.

A prefeitura, por meio da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente (SVMA), afirmou que a demolição segue os prazos judiciais. A SVMA também ressaltou que o clube nunca solicitou autorização para realizar o Samba do Cruz, que envolvia comercialização irregular de bebidas alcoólicas em espaço público.

O imbróglio faz parte de um processo mais amplo de desocupação de clubes de várzea na região. Em março de 2026, a sede do Aliança da Casa Verde foi demolida após reintegração de posse. A concessionária vencedora do edital para o parque exigia o terreno livre, o que levou a prefeitura a notificar as associações. Quatro dos cinco clubes aceitaram um acordo para desocupar temporariamente e depois retornar, mas o Samba do Cruz resistiu.

Para frequentadores e organizadores, o Samba do Cruz representava mais que um evento: era um símbolo de resistência cultural e lazer comunitário. A demolição marca o fim de uma tradição que durou décadas, em nome do desenvolvimento urbano. A prefeitura, por sua vez, defende que o parque trará benefícios para a região densamente urbanizada, com espaços de esporte e convivência.

A data de 29 de julho foi confirmada pelos organizadores, que lamentaram a falta de diálogo com o poder público. A expectativa é que o terreno seja preparado para as obras do Parque Campo de Marte, cujo cronograma ainda não foi divulgado oficialmente.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/samba-cruz-demolido-campo-marte

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