O Samba do Cruz, tradicional evento cultural que acontecia no Campo de Marte, zona norte de São Paulo, terá seu espaço demolido na próxima quarta-feira, 29 de julho. A decisão encerra uma disputa judicial que se arrastava desde março entre os organizadores e a Prefeitura de São Paulo, que planeja construir o Parque Municipal Campo de Marte no local.
A área de quase 15 mil metros quadrados, onde funcionava o Grêmio Esportivo Recreativo Cruz da Esperança, foi ocupada desde 1958 pela comunidade. No entanto, a Justiça considerou a ocupação irregular e determinou a reintegração de posse para viabilizar o projeto de lazer criado em 2024.
"Infelizmente, nossa luta não foi suficiente para sensibilizar o prefeito Ricardo Nunes (MDB) juntamente com a concessionária que não deu a devida importância à preservação da nossa história, da nossa cultura e da nossa relevância da Cruz da Esperança para a comunidade. A demolição ficou prevista para o dia 29 de julho", publicou o perfil do Samba nas redes sociais.
A batalha judicial começou em março, quando a 9ª Vara da Fazenda Pública determinou a reintegração de posse imediata. O juiz Bruno Santos Montenegro, no entanto, reconsiderou parcialmente a medida após pedido do Grêmio, concedendo 60 dias para desocupação. A prefeitura recorreu, e em maio o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) restabeleceu a ordem de despejo imediato, com possibilidade de uso de força policial.
A prefeitura, por meio da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente (SVMA), afirmou que a demolição segue os prazos judiciais. A SVMA também ressaltou que o clube nunca solicitou autorização para realizar o Samba do Cruz, que envolvia comercialização irregular de bebidas alcoólicas em espaço público.
O imbróglio faz parte de um processo mais amplo de desocupação de clubes de várzea na região. Em março de 2026, a sede do Aliança da Casa Verde foi demolida após reintegração de posse. A concessionária vencedora do edital para o parque exigia o terreno livre, o que levou a prefeitura a notificar as associações. Quatro dos cinco clubes aceitaram um acordo para desocupar temporariamente e depois retornar, mas o Samba do Cruz resistiu.
Para frequentadores e organizadores, o Samba do Cruz representava mais que um evento: era um símbolo de resistência cultural e lazer comunitário. A demolição marca o fim de uma tradição que durou décadas, em nome do desenvolvimento urbano. A prefeitura, por sua vez, defende que o parque trará benefícios para a região densamente urbanizada, com espaços de esporte e convivência.
A data de 29 de julho foi confirmada pelos organizadores, que lamentaram a falta de diálogo com o poder público. A expectativa é que o terreno seja preparado para as obras do Parque Campo de Marte, cujo cronograma ainda não foi divulgado oficialmente.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/samba-cruz-demolido-campo-marte


