UrgenteTribunal do Júri analisa conduta de PMs em morte de jovem rendido em Paraisópolis
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São Paulo

Tribunal do Júri analisa conduta de PMs em morte de jovem rendido em Paraisópolis

Começou nesta terça-feira (28/7) o júri popular dos policiais militares acusados de matar Igor Oliveira de Moraes Santos, de 24 anos, durante abordagem em que ele já estava rendido, em Paraisópolis, zona sul de São Paulo.

jovem rendido em Paraisópolis que morreu durante abordagem de PMsFoto: Reprodução/Redes sociais
Raphael Nogueira Felix
28 de julho de 202615:38
Atualizado agora há pouco às 18:38

Teve início na manhã desta terça-feira (28/7) o júri popular dos policiais militares acusados de homicídio qualificado contra Igor Oliveira de Moraes Santos, de 24 anos. O julgamento ocorre no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo, e deve se estender ao longo do dia.

Dois dos quatro PMs envolvidos estão presos e respondem pelo crime de homicídio qualificado, com agravantes de motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima. Os cabos Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima são os réus no banco dos jurados. Já os soldados Hugo Leal de Oliveira Reis e Victor Henrique de Jesus, também acusados, aguardam o julgamento em liberdade, na condição de colaboradores.

De acordo com a denúncia, os soldados não efetuaram os disparos que mataram o jovem, mas deram suporte moral e material aos executores. A acusação sustenta que eles participaram da abordagem e rendição dos suspeitos e também efetuaram disparos no cômodo onde a vítima foi alvejada.

“A denúncia acusa Hugo Leal de Oliveira Reis e Victor Henrique de Jesus de terem dado auxílio moral e material aos executores, na medida em que, além de participarem da abordagem e rendição dos suspeitos, efetuaram disparos de arma de fogo dentro do cômodo onde a vítima foi alvejada”, diz trecho da acusação.

O caso ocorreu em julho de 2025, durante uma perseguição a suspeitos de tráfico na Rua Rudolf Lotze, em Paraisópolis. Imagens de câmeras corporais dos policiais mostraram que Igor já estava rendido e desarmado quando foi atingido, contrariando a versão inicial da Polícia Militar, que alegava confronto armado.

Na gravação, é possível ver que o jovem e outros dois suspeitos estavam sob a mira de um policial quando outro agente dispara duas vezes. Um dos militares então aponta a arma para Igor e pergunta se ele tem passagem pela polícia. Ao ouvir a resposta negativa, ordena que ele se levante e atira, sendo seguido por outro disparo de colega.

A análise das imagens descartou a hipótese de legítima defesa, inicialmente alegada pelos PMs. Igor foi encontrado morto no local com múltiplos disparos. A defesa dos réus ainda não se manifestou publicamente sobre as provas apresentadas.

Além da morte do jovem, a operação policial na região também investigava a existência de uma suposta casa-bomba, que não foi localizada. Armas, munições e drogas foram apreendidos no local.

O julgamento deve seguir com depoimentos de testemunhas e análise das provas, incluindo as câmeras corporais, que são consideradas peças-chave para a condenação ou absolvição dos PMs.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/comeca-juri-de-pms-acusados-de-matar-jovem-rendido-em-paraisopolis

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