A federação PSol-Rede oficializou no último domingo (26) o apoio à candidatura de Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo e anunciou os nomes que comporão a chapa ao Senado. Entre eles, o vereador Djalma Nery (PSol), de São Carlos, foi indicado como suplente da ex-ministra Marina Silva (Rede), candidata a uma vaga na Casa.
A escolha de Nery foi motivada por seu perfil ambientalista e sua origem no interior do estado, área de forte atuação do agronegócio onde a esquerda tradicionalmente encontra resistência. A principal missão dada por Marina ao suplente é difundir a pauta ambiental entre os eleitores do interior paulista durante a campanha.
“Ela queria um jovem para dialogar com a juventude e que fosse do interior paulista”, afirmou Nery, que é o vereador mais votado de São Carlos nas últimas duas eleições. Ele complementou que sua atuação principal é o meio ambiente e a agroecologia, e que, apesar de ter 38 anos, se enquadra como jovem para o nível do Senado.
O parlamentar destacou que conhece bem a realidade da região central do estado, onde passou toda a vida. Para ele, a escolha reflete a sintonia com a trajetória política de Marina, marcada pela defesa ambiental.
Nos bastidores, a vaga de suplente é alvo de disputa porque, em caso de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aliados apontam que Marina é cotada para reassumir um ministério, o que abriria espaço para o suplente assumir o mandato de oito anos no Senado. Esse cenário torna a suplência uma posição estratégica dentro da coligação.
A indicação de Nery, no entanto, gerou mal-estar entre os partidos que apoiam Haddad, especialmente o PDT. A legenda presidida por Carlos Lupi reivindica a suplência e alega ter um compromisso firmado diretamente com Lula para ocupar uma das vagas. O PDT indicou o sindicalista Antonio Neto para a suplência de Marina, mas não foi contemplado.
Para a suplência de Simone Tebet (PSB), a outra candidata ao Senado pela chapa, o PDT sugeriu o ex-prefeito de Araraquara Marcelo Barbieri, mas o posto deve ficar com o advogado Laio Morais (PT), ex-chefe de gabinete de Haddad no Ministério da Fazenda. Caso não consiga nenhuma suplência, o PDT ameaça lançar candidatura própria ao Senado em São Paulo, o que poderia rachar a coligação.
A situação expõe as negociações complexas entre os partidos da base de Lula no estado, que buscam equilibrar interesses regionais e nacionais. Enquanto isso, Djalma Nery se prepara para cumprir a missão recebida de Marina Silva: levar a agenda ambiental ao coração do agronegócio paulista.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/suplente-psolista-marina

