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São Paulo

Coronel da reserva é acusado de garantir privilégios a operadores do PCC em clube da PM

Associados da AOPM afirmam que o coronel Luiz Carlos Pereira Martins usava sua posição para reservar vagas exclusivas e acomodar convidados suspeitos de ligação com o PCC em eventos da entidade.

Homens em festaFoto: Reprodução/AOPM
Raphael Nogueira Felix
29 de julho de 202603:13
Atualizado agora há pouco às 06:13

O coronel da reserva Luiz Carlos Pereira Martins, diretor de Colônias e Patrimônio da Associação dos Oficiais da Polícia Militar de São Paulo (AOPM), é alvo de acusações de ter utilizado seu cargo para favorecer supostos operadores financeiros do Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo relatos de associados da entidade, que pediram anonimato, o oficial garantia vagas de estacionamento reservadas e lugares privilegiados em festas e eventos da associação para amigos investigados por envolvimento com o crime organizado.

As fontes descrevem que Pereira Martins agia como anfitrião, selecionando os melhores espaços para seus convidados em ocasiões como a tradicional “festa do flashback” e celebrações de aniversário da AOPM. Em um dos eventos, ocorrido em outubro de 2025, o coronel posou ao lado de Robson Martins de Souza, apontado como operador do PCC, em uma foto publicada no perfil oficial da associação.

A Polícia Federal (PF) teve acesso a mensagens trocadas entre Pereira Martins e Robson, nas quais tratavam da entrada de carros de luxo no evento. Entre os veículos mencionados estavam modelos Porsche Cayenne, Panamera e 911 Carrera S. Os diálogos indicam que o coronel intermediava a participação dos automóveis na festa, embora o relatório da PF não afirme que os carros pertencessem diretamente aos suspeitos nem que houvesse irregularidade na entrada.

“Ele garantia os melhores lugares para os amigos”, afirmou uma das fontes que frequentam a AOPM, em referência ao tratamento diferenciado.

Em outra imagem localizada pela reportagem, Pereira Martins aparece em uma confraternização de agosto de 2025 ao lado do advogado Antonio Carlos Ubaldo Júnior. O registro foi publicado no perfil da associação, que descreveu a noite como “memorável”. Ubaldo foi preso em março de 2026 na Operação Bazaar e novamente capturado em julho, durante a Operação Janus do Ministério Público de São Paulo (MPSP). Ele é suspeito de integrar uma estrutura financeira que movimentava valores para criminosos, incluindo membros do PCC.

A investigação também revelou uma foto do coronel e sua esposa à mesa de um restaurante com Ubaldo e Cléber Azevedo dos Santos, outro preso na Operação Janus. O material reforça a conexão entre o oficial da reserva e indivíduos sob suspeita de lavagem de dinheiro para a facção.

A reportagem tentou contato com a defesa de Pereira Martins, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. A AOPM informou que não comentaria o caso por envolver investigações em andamento. O caso segue sob análise da PF e do MPSP.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/coronel-reservava-vagas-exclusivas-a-operadores-do-pcc-em-clube-da-pm

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