O Ministério Público de São Paulo (MPSP) instaurou um inquérito civil para investigar a conduta de policiais militares que entraram armados em uma escola municipal de educação infantil na zona oeste da capital paulista. A ação ocorreu após uma criança de quatro anos desenhar a orixá Iansã durante atividade escolar sobre cultura afro-brasileira.
O caso, revelado pelo Metrópoles em novembro do ano passado, ganhou repercussão e gerou repúdio de entidades e órgãos públicos. O pai da aluna, que também é policial, acionou a PM alegando que a filha estaria sendo obrigada a ter aula de uma religião diferente da sua.
Segundo relatos colhidos pela reportagem, os agentes entraram na Emei Antônio Bento portando armas de grosso calibre, o que assustou as crianças. Imagens das câmeras corporais dos PMs, obtidas pelo Metrópoles, registraram a dinâmica da ocorrência.
Após a divulgação do caso, o pai foi indiciado pela Polícia Civil por intolerância religiosa. Em junho, a Associação Movimento Brasil Laico e a Bancada Feminista do PSol apresentaram representações à Corregedoria da PM e ao MPSP pedindo investigação sobre possível ilegalidade na ação policial.
Na quarta-feira (29/7), o Grupo de Atuação Especial de Educação (Geduc) do MPSP anunciou a instauração do inquérito civil. A Polícia Militar, por outro lado, havia arquivado a investigação interna sobre o caso em março deste ano.
A atividade escolar que motivou o incidente fazia parte da leitura do livro infantil "Ciranda em Aruanda", da autora Liu Olivina. A obra, que tem selo Altamente Recomendável da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, apresenta ilustrações de dez orixás e faz parte do acervo oficial da rede municipal de ensino. A menina desenhou Iansã, orixá ligada aos ventos e às tempestades, e os desenhos foram expostos no mural da escola.
A autora Liu Olivina lamentou o episódio, classificando a reação como desproporcional. Entidades de defesa dos direitos humanos e da liberdade religiosa criticaram a ação dos PMs, que consideraram um ato de intolerância religiosa contra as religiões de matriz africana.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/desenho-orixa-mpsp-investiga-pm

