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São Paulo

Justiça anula decreto que extinguiu institutos de pesquisa ambiental em São Paulo

Decisão da juíza Erika Folhadella Costa declara nulo decreto de 2020, do governo Doria, que extinguiu Horto Florestal, Instituto Geológico e Instituto de Botânica.

Instituto de Pesquisas Ambientais de São PauloFoto: Reprodução/Google Street View
Raphael Nogueira Felix
31 de julho de 202609:30
Atualizado agora há pouco às 12:30

A Justiça de São Paulo anulou o decreto estadual que extinguiu três institutos de pesquisa ambiental e concentrou suas funções em um único órgão. Na decisão, a juíza Erika Folhadella Costa também determinou que o governo não promova novas mudanças na estrutura do setor sem fundamentação técnica e sem consulta aos conselhos deliberativos.

O decreto, assinado em 2020 pelo então governador João Doria, acabou com o Horto Florestal, o Instituto Geológico e o Instituto de Botânica. As atribuições dessas unidades foram transferidas para o recém-criado Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA). A medida foi alvo de questionamento na Justiça.

A ação foi movida pelo Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam). Na sentença, a magistrada entendeu que o governo estadual excedeu seu poder regulamentar e violou o princípio da legalidade. Ela apontou ainda que a extinção ignorou a necessidade de participação do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema). A decisão reforça a obrigação de ouvir a sociedade em mudanças na política ambiental.

"Ao retirar da unidade científica as atribuições que a lei lhe reservou, o ato regulamentar exorbitou manifestamente do seu poder normativo", escreveu a juíza.

Na avaliação da magistrada, a lei de regência não deu à Fundação Florestal competência para gerir ou executar diretamente pesquisas científicas ambientais. Também não autorizou a administração autônoma das unidades de experimentação científica. A falta de base legal tornou o decreto inválido, segundo a decisão.

"A supressão dessa etapa consultiva viola a gestão participativa e a legalidade procedimental da política ambiental estadual, conforme previsto no próprio ordenamento jurídico paulista", completou.

Ainda cabe recurso. O governo estadual não informou se pretende recorrer. Enquanto isso, a decisão impede que o estado repita a extinção sem o devido processo. Na prática, os efeitos do decreto de 2020 ficam suspensos, e os institutos devem ser mantidos em suas atribuições originais.

Os três órgãos tinham relevância histórica e científica. O Horto Florestal, por exemplo, abriga um parque e um centro de pesquisa. O Instituto Geológico desenvolve mapeamentos e estudos sobre riscos ambientais. O Instituto de Botânica mantém coleções e programas de conservação. A extinção foi criticada por pesquisadores e especialistas em meio ambiente.

A decisão representa uma vitória para os defensores da participação social nas políticas ambientais. Agora, qualquer mudança estrutural no setor precisará passar por análise técnica e pelos colegiados previstos em lei. Isso pode evitar que decisões administrativas desmontem órgãos de pesquisa sem diálogo com a comunidade científica.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/justica-decreto-institutos-pesquisas

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