Câmeras de reconhecimento facial da cidade de São Paulo e do estado do Rio de Janeiro vão integrar o sistema nacional de busca por pessoas desaparecidas. O acordo foi firmado entre o Ministério Público de São Paulo (MPSP), o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e a Secretaria Municipal de Segurança Urbana da capital paulista.
A parceria permite que o rosto de qualquer desaparecido no país seja inserido nas redes de videomonitoramento fluminense e paulistana, por meio do Centro Integrado de Comando e Controle (RJ) e do Smart Sampa. A expectativa é ampliar a chance de localização de pessoas com o uso das câmeras já existentes nas duas regiões.
O sistema que reúne os dados é o Sistema Nacional de Localização e Identificação de Desaparecidos (Sinalid), vinculado ao MPSP. Ele integra usuários do próprio Ministério Público, das áreas de segurança pública, assistência social, saúde e organizações não governamentais. Desde a criação, em 2017, o Sinalid já solucionou 33.236 casos de desaparecimento e situações correlatas.
Os números mostram a relevância da medida. Dos 115,4 mil casos cadastrados no Sinalid, 42,8 mil são do Rio de Janeiro e 38,8 mil de São Paulo. Juntos, os dois estados concentram 71% de todos os registros do país.
“O desaparecimento de um ente familiar causa um luto que não termina, o que é doloroso demais. Quantos mais atores contribuírem com imagens ou quaisquer outras informações que auxiliem na localização dessa pessoas, maior será o sucesso do que buscamos através da ferramenta”, disse a coordenadora do Núcleo de Apoio às Vítimas (NAV/MPRJ), Patrícia Galvão.
Para que os dados sejam incluídos no sistema do Ministério Público, é necessário o consentimento prévio dos familiares ou responsáveis pela pessoa desaparecida. O MP orienta que o órgão seja procurado o mais rápido possível assim que o caso for identificado, para agilizar o trabalho de busca.
O Sinalid também ajuda a entender o desaparecimento como um fenômeno social complexo. Em 59,2% dos casos não há motivo aparente. Entre as causas identificadas, 14,6% estão ligadas à dependência química, 11,8% ao afastamento voluntário e 10,3% a problemas psiquiátricos.
Neste mês, dois homens naturais do interior paulista seguem desaparecidos: um no estado e outro no exterior. Daniel Nascimento, de 28 anos, atleta recordista de maratona, sumiu no dia 19 de junho em Paraguaçu Paulista. Segundo a mãe, ele saiu de casa com uma mochila preta e não voltou.
Bruno Fernando Rego, também de 28 anos, é natural de Capivari e desapareceu no dia 5 de julho em Paris, na França. A família informou que ele trabalha como motorista de aplicativo no país para custear o tratamento médico da filha.
Com a integração das câmeras, a expectativa é de que novos casos sejam solucionados mais rapidamente. A ferramenta já representa um avanço no uso da tecnologia para proteção de pessoas vulneráveis. A troca de informações entre estados pode ser decisiva para encerrar o sofrimento de famílias que buscam respostas.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/cameras-de-sp-e-rj-sao-integradas-a-sistema-que-busca-desaparecidos

