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São Paulo

Aliados de Renan Santos e Caiado miram debate sem Lula para ganhar espaço

Com a provável ausência de Lula no primeiro debate presidencial, candidatos do Missão e do PSD veem oportunidade de se destacar e atacar adversários.

Aliados de Renan Santos e Caiado veem oportunidade em debate sem LulaFoto: Reprodução/Tv Globo
Raphael Nogueira Felix
3 de agosto de 202603:20
Atualizado agora há pouco às 06:20

Após a convenção partidária, o Partido dos Trabalhadores (PT) volta as atenções para a segunda quinzena de agosto. No dia 16, um grande evento em São Bernardo do Campo (SP) deve lançar a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e depois a legenda definirá se o mandatário participará do primeiro debate presidencial, marcado para 23 de agosto, na TV Band.

A tendência entre os líderes do partido é de que Lula não compareça ao debate. À frente nas pesquisas e principal alvo dos adversários, o petista deve se resguardar para um eventual segundo turno, ou entrar no confronto somente se os demais concorrentes se aproximarem nas sondagens.

Há ainda a avaliação de que a oratória e a argumentação de Lula são superiores às de Flávio Bolsonaro (PL), o que poderia desidratar a campanha do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Diante da provável falta de Lula, aliados dos presidenciáveis Renan Santos, do Missão, e Ronaldo Caiado, do PSD, já traçam estratégias para ampliar o apelo de suas candidaturas.

O deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP) afirma que, sem Lula, o principal alvo de Renan Santos será Flávio Bolsonaro. “O alvo do Renan vai ser o Flávio, porque ele é o único que tem coragem de atacar o Flávio”, diz Kataguiri ao Metrópoles. “O Flávio vai querer jogar ou com [Ronaldo] Caiado (PSD) ou [Romeu] Zema (Novo)”, acrescenta, sugerindo que o filho de Bolsonaro teria uma “escada” no debate.

Segundo o parlamentar, Caiado e Zema têm muito a perder ao atacar Flávio Bolsonaro, pois participaram de atos bolsonaristas na Avenida Paulista e demonstraram apoio a pautas de Jair Bolsonaro, como a anistia aos presos pelos atos de 8 de janeiro de 2023. “O eleitor do Caiado e do Zema podem se voltar contra eles (se atacarem Flávio) por causa da subserviência que já demonstraram (ao bolsonarismo)”, analisa Kataguiri.

O deputado ainda avalia que o desafio de Renan Santos é menor que o dos adversários, já que o grande problema do presidenciável do Missão seria o desconhecimento. Para ele, é mais fácil se apresentar a alguém do que mudar a opinião de quem já conhece o candidato, mas precisa ser convencido a votar nele.

Já o deputado Otoni de Paula (PSD-RJ), que já militou no bolsonarismo e recuou após ser atacado pela aliança com Eduardo Paes (PSD) no Rio, acredita em outro cenário. O parlamentar carioca acha que, se Lula não for, Flávio também não deve ir. A ausência dos dois candidatos que lideram as pesquisas pode tornar Caiado o grande protagonista do debate da Band.

Para Otoni, assim como Lula, Flávio não deve se desgastar devido à distância apresentada nas pesquisas. O cenário daria condições a Caiado de demonstrar oratória e experiência superior aos adversários, e o governador de Goiás já ensaia um distanciamento do bolsonarismo, fazendo críticas a pautas ligadas ao ex-presidente.

O primeiro debate presidencial está marcado para 23 de agosto, na TV Band, e deve reunir os principais candidatos à Presidência. A definição sobre a participação de Lula deve ocorrer após o evento de lançamento da campanha em São Bernardo do Campo, no ABC paulista.

Enquanto isso, as campanhas de Renan Santos e Ronaldo Caiado se articulam para aproveitar o espaço que a ausência do petista pode abrir, buscando conquistar eleitores indecisos e se consolidar como alternativas viáveis na disputa.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/renan-caiado-debate-lula

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