A Polícia Militar de São Paulo recomendou a expulsão do soldado Guilherme Augusto Macedo, apontado como autor do disparo que matou o estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta, de 22 anos. A medida consta no Processo Administrativo Disciplinar (PAD) instaurado para apurar a abordagem policial ocorrida em novembro de 2024, na Vila Mariana, zona sul da capital paulista.
A recomendação foi divulgada neste sábado (3/8), após a conclusão da fase de instrução do PAD. O soldado responderá por homicídio qualificado na Justiça comum, assim como o colega Bruno Carvalho do Prado, que também participou da ocorrência. Ambos irão a júri popular, e a Justiça já negou pedido de absolvição apresentado pela defesa.
O caso ganhou repercussão após imagens do circuito interno do hotel onde o estudante foi baleado contradizerem a versão inicial dos policiais. No boletim de ocorrência, os agentes afirmaram que Marco Aurélio estava alterado e teria tentado tomar a arma de um deles, o que motivou o disparo. As gravações, porém, não mostram essa tentativa, mas exibem o soldado Prado chutando o jovem, que cai e segura a perna do agente, momento em que Augusto atira.
A defesa do soldado Macedo classificou a recomendação de expulsão como uma decisão precipitada. “Acreditamos que se trata de uma decisão afoita, talvez por conta de pressões externas ao procedimento. A defesa espera que as demais autoridades da PMESP avaliem com mais cautela os fatos”, afirmou o advogado Leonardo Duarte.
Procurada, a Polícia Militar informou que o processo administrativo disciplinar ainda tramita, dentro do prazo legal, e que o resultado será divulgado após a análise da autoridade competente. Os dois policiais foram afastados das atividades operacionais enquanto o caso é investigado.
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou os PMs por homicídio qualificado, com as qualificadoras de motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima. Para um deles, foi pedida a prisão preventiva; o outro figura como cúmplice. A Justiça aceitou a denúncia e determinou que ambos sejam submetidos ao júri popular.
O estudante Marco Aurélio cursava o 5º ano de medicina e morreu horas após ser baleado no abdômen, no Hospital Ipiranga. A abordagem ocorreu na madrugada de 20 de novembro de 2024, depois que o jovem, aparentando estar alterado, deu um tapa no retrovisor da viatura e correu para o hotel, sendo seguido pelos policiais.
No saguão do hotel, houve luta corporal. Segundo as imagens, o soldado Prado chutou o estudante, que caiu e segurou a perna do agente. Nesse momento, o soldado Augusto sacou a arma e efetuou o disparo. A versão apresentada no boletim de ocorrência, de que a vítima tentou tomar a arma, não é corroborada pelas gravações, segundo o MP.
A defesa dos policiais ainda não se manifestou sobre o conteúdo das imagens. O caso segue em análise na Justiça Militar e na Justiça comum, e a expectativa é de que o júri popular seja realizado nos próximos meses.
A reportagem tenta contato com a defesa do soldado Bruno Carvalho do Prado, mas não obteve retorno até a publicação. O espaço segue aberto para manifestações.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/pm-expulsao-morte-estudante

