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São Paulo

Sistema Cantareira evita colapso com transposição e redução de pressão, aponta Sabesp

Sem as manobras, reservatório teria apenas 16% da capacidade útil; ANA ampliou limite de captação até o fim do ano.

Imagem mostra Estação de Tratamento de Água do Guaraú, parte do Sistema CantareiraFoto: William Cardoso/Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
3 de agosto de 202602:20
Atualizado agora há pouco às 05:20

O Sistema Cantareira, principal complexo de reservatórios que abastece a região metropolitana de São Paulo, está operando com o auxílio de medidas emergenciais para não atingir o volume morto. De acordo com estimativas da Sabesp, sem a transposição de águas do Rio Paraíba do Sul e a redução da pressão na rede noturna, o sistema teria hoje apenas 16% de sua capacidade útil, o equivalente a cerca de 157 bilhões de litros.

O cenário é preocupante, e a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) ampliou o limite da transposição até o fim do ano, mantendo a faixa de alerta que restringe a captação nos reservatórios. O Cantareira encerrou julho com 36,7% do volume útil, cerca de 360 bilhões de litros, mas a vazão natural das represas está muito abaixo da média histórica.

A estiagem prolongada tem reduzido a entrada de água nos reservatórios, e a transposição do Paraíba do Sul tornou-se essencial para evitar um colapso no abastecimento. Em julho, a vazão natural foi de aproximadamente 15 metros cúbicos por segundo (m³/s), bem inferior à média de 26,6 m³/s para o mês. Atualmente, são captados até 8,5 m³/s do rio para o Cantareira, volume que representa mais de um terço de toda a água que chega às represas.

A transposição do Paraíba do Sul foi inaugurada em março de 2018, após as obras realizadas na esteira da grave crise hídrica de 2014 e 2015. O investimento foi de R$ 555 milhões à época, cerca de R$ 990 milhões em valores corrigidos. A estrutura permite que a água seja bombeada do rio para o Cantareira em momentos críticos, e o caminho inverso também é possível, caso o manancial que abastece o Rio de Janeiro perca vazão.

Como não há sinais confiáveis de recuperação do sistema em plena estação seca, a ANA autorizou em junho, em caráter excepcional e temporário, a ampliação do limite anual de captação de 162 bilhões para 268 bilhões de litros. Até a última quinta-feira (30/7), já haviam sido utilizados 139 bilhões de litros desse montante, o que equivale a um consumo de mais da metade do limite ampliado em menos de dois meses.

Além da transposição, a Sabesp tem adotado a redução de pressão na rede de distribuição durante a noite, medida conhecida como Gestão de Demanda Noturna (GDN). A empresa estima que essa ação, que vigorava das 19h às 5h, proporcionou uma economia de 183 bilhões de litros desde agosto do ano passado. Desse total, cerca de 40% beneficia diretamente o Cantareira, o que representa aproximadamente 73 bilhões de litros preservados.

A medida, no entanto, tem gerado críticas, principalmente de moradores de bairros periféricos da Grande São Paulo, que relatam falta d’água em diversos períodos do dia. No início da noite de sexta-feira (31/7), o governo estadual anunciou que a GDN passaria a ser de oito horas, das 22h às 6h, a partir de agosto. A justificativa apresentada foram as chuvas registradas em junho e no fim de julho na região de Extrema (MG), que contribuíram para uma leve melhora nos níveis dos reservatórios.

Especialistas alertam que as soluções para o Cantareira são paliativas e que o sistema permanece vulnerável diante das mudanças climáticas. A transposição e a redução de pressão ajudam a evitar o pior, mas não resolvem o problema estrutural da falta de chuvas e da alta demanda. A ANA mantém a faixa de alerta, que restringe a captação, e a expectativa é de que as chuvas de verão tragam alívio, mas a situação exige monitoramento constante.

A Sabesp informou que continua investindo em obras de interligação e em programas de redução de perdas, mas reconhece que o cenário é desafiador. A população é orientada a economizar água e a evitar desperdícios, enquanto os órgãos gestores buscam alternativas para garantir o abastecimento até o fim do período seco.

O Sistema Cantareira é responsável por abastecer cerca de 7 milhões de pessoas na capital paulista e em municípios da Grande São Paulo. A crise de 2014 e 2015, que levou o sistema a operar com volume morto, serviu de alerta para a necessidade de diversificação das fontes de água, mas a dependência do Cantareira ainda é grande, e a situação atual reforça a urgência de medidas de longo prazo.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/manobras-evitaram-que-cantareira-ficasse-a-beira-do-volume-morto

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