O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil divulgou nota nesta terça-feira (4/8) para rebater as críticas do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), sobre a greve que afeta três linhas da CPTM. A categoria afirma que o movimento não tem caráter político-partidário e que foi aprovado em assembleia.
A principal reivindicação é a garantia formal de que nenhum ferroviário perderá o emprego com a concessão das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade à iniciativa privada. O sindicato alega que, apesar das reuniões com o governo, não houve compromisso efetivo nesse sentido.
«O movimento nasceu da ausência de uma garantia concreta de manutenção dos empregos de milhares de trabalhadores que dedicaram décadas à construção de um dos maiores sistemas ferroviários do país», diz o comunicado. A entidade ressalta que não é contra investimentos ou melhorias, mas que o processo de privatização não pode ignorar o futuro dos funcionários.
Na manhã desta terça, Tarcísio classificou a paralisação como «instrumentalização política para prejudicar o passageiro e o cidadão de bem». Em nota nas redes sociais, o governador afirmou que «negociações aconteceram, garantias de manutenção de emprego foram dadas e descartadas pelo sindicato».
A greve afeta cerca de 780 mil usuários do sistema ferroviário paulista, segundo estimativas da CPTM. A empresa também acusa a categoria de descumprir o efetivo mínimo durante a paralisação.
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), também criticou o movimento. Para ele, a greve teria motivação eleitoral, ligada à disputa pela sucessão estadual. «Tenho a impressão que o objetivo deles eles já alcançaram. Acho que chegou na hora já de parar de prejudicar a população», disse.
O sindicato, por sua vez, nega qualquer viés político e reforça que a decisão de parar foi tomada em assembleia. A entidade afirma que segue aberta ao diálogo, mas que não abrirá mão da segurança dos empregos dos trabalhadores.
A paralisação começou na manhã desta terça e não tem previsão de encerramento. As linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade operam com intervalos maiores e estações lotadas. A CPTM recomenda que os passageiros busquem alternativas de transporte.
O governo estadual diz que a concessão das linhas é necessária para modernizar o sistema, com novos trens, estações acessíveis e extensão até Bonsucesso e César de Souza. Já a categoria teme que o processo leve à demissão em massa após décadas de serviço público.
A Justiça do Trabalho foi acionada para avaliar a legalidade da greve. O sindicato afirma que a decisão de parar foi legítima e que a categoria está disposta a negociar, desde que haja garantias concretas.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/ferroviarios-negam-carater-partidario-de-greve-apos-fala-de-tarcisio

