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São Paulo

Acordo encerra greve na CPTM e garante empregos em linhas concedidas à iniciativa privada

Ferroviários da CPTM decidiram encerrar a greve após acordo com o governo de São Paulo que prevê projeto de lei para manter empregos nas linhas 11, 12 e 13.

Ferroviário discursa em assembleia que decide continuidade da greve da CPTMFoto: Gabrielle Gonçalves/Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
5 de agosto de 202622:46
Atualizado agora há pouco às 01:46

Em assembleia extraordinária realizada na noite desta quarta-feira (5/8), os ferroviários da CPTM aprovaram o fim da greve que afetou as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade. A decisão foi tomada após representantes do governo de São Paulo se comprometerem a enviar à Assembleia Legislativa um projeto de lei para garantir a manutenção dos empregos nas linhas concedidas à iniciativa privada.

A paralisação, que começou na terça-feira (4/8), foi motivada pela transferência da operação dessas linhas para a concessionária Trivia Trens e por uma série de falhas registradas desde que a empresa assumiu o controle. O desgaste aumentou após um incêndio em um trem da Linha 12-Safira no dia 23 de julho, o que levou a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) a determinar que a CPTM retomasse temporariamente a operação conjunta com a Trivia.

Com a deliberação da assembleia, os trabalhadores retornaram ao trabalho imediatamente. Por volta das 20h, os painéis da CPTM já indicavam operação regularizada nas três linhas. A categoria, no entanto, permanece em estado de greve e pode voltar a paralisar as atividades caso o governo não cumpra o acordado.

A votação contou com 157 participantes, dos quais 131 votaram a favor do retorno e 26 contra. Os ferroviários também decidiram não repassar conhecimentos operacionais à equipe da nova concessionária, como forma de pressionar por garantias adicionais.

Antes da votação, o governador Tarcísio de Freitas adiantou que enviaria à Alesp um texto prevendo a absorção ou cessão dos trabalhadores por órgãos da administração pública estadual durante o processo de desestatização. A medida, porém, estava condicionada ao retorno dos funcionários até o horário de pico da quarta-feira.

A greve causou transtornos para os passageiros, que enfrentaram filas e superlotação nas estações de metrô e trem. Uma passageira relatou que chegou quatro horas e meia atrasada ao trabalho, percorrendo o trajeto entre Artur Alvim, na zona leste, e Jundiapeba, em Mogi das Cruzes.

Caso a paralisação continuasse, a Justiça do Trabalho havia determinado que 90% dos funcionários trabalhassem nos horários de pico e 70% nos demais, sob pena de multa diária de R$ 5 milhões ao sindicato. A categoria volta a se reunir com o governo no dia 19 de agosto para assinatura de um novo acordo coletivo.

Os grevistas também reivindicavam que o acordo contemplasse os funcionários da Linha 10-Turquesa, única ainda sob gestão da CPTM. A expectativa é que as negociações avancem para garantir estabilidade e condições de trabalho para todos os ferroviários.

A decisão de encerrar a greve foi vista como uma vitória parcial da categoria, que conseguiu assegurar compromissos formais do governo, mas mantém o alerta para o cumprimento das promessas. A situação segue sendo monitorada de perto pelos trabalhadores e pela população que depende do serviço.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/greve-da-cptm-como-foi-assembleia-que-decidiu-retomada-das-atividades

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