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São Paulo

Justiça mantém investigação sobre liberação de obra no Parque Ibirapuera

O Conselho Superior do MPSP negou pedido da Prefeitura de São Paulo para arquivar inquérito que apura possíveis irregularidades na aprovação de projeto comercial na área da antiga Serraria do Ibirapuera.

Imagem mostra área da Serraria, no Parque IbirapueraFoto: William Cardoso/Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
5 de agosto de 202621:26
Atualizado agora há pouco às 00:26

O Conselho Superior do Ministério Público de São Paulo (MPSP) decidiu manter a investigação sobre possíveis irregularidades na liberação de um projeto comercial no Parque Ibirapuera, na zona sul da capital. A prefeitura havia solicitado o arquivamento do inquérito civil, mas o pedido foi negado pelo colegiado.

O caso envolve a atuação do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp), que aprovou a transformação da antiga Serraria do parque em um espaço de uso comercial pela concessionária Urbia. A decisão do MPSP foi divulgada nesta quarta-feira (5).

Em junho, o promotor de Justiça do Patrimônio Público e Social, Silvio Marques, determinou que cinco integrantes do Conpresp fossem investigados por supostamente terem agido de forma deliberada para beneficiar a concessionária. Na ocasião, Marques afirmou que a aprovação do projeto teria ocorrido com desrespeito ao contrato de concessão e ao tombamento do parque.

O relator do caso no Conselho Superior, José Carlos Cosenzo, entendeu que a prefeitura não teria legitimidade para recorrer em nome dos conselheiros. Ele também citou a existência de elementos concretos que apontam desconformidade do projeto com as normas de preservação, o que justificaria a continuidade das apurações.

A Procuradoria Geral do Município (PGM) afirmou que recorreu ao MPSP por considerar que não há motivos para o prosseguimento do inquérito. Em nota, o órgão sustentou que a aprovação do projeto ocorreu dentro das competências legais do Conpresp e que os conselheiros não deveriam ser investigados individualmente apenas por terem votado a favor da proposta.

A investigação, no entanto, não se limita à Serraria. O Ministério Público também apura, em outro inquérito, possíveis falhas na flexibilização dos instrumentos de preservação e na aprovação de intervenções incompatíveis com o tombamento do parque. O parque é tombado e sua área é utilizada há anos pela população para atividades esportivas e de lazer.

A Urbia, concessionária responsável pela gestão do Ibirapuera, ainda não se manifestou publicamente sobre a decisão do MPSP. A prefeitura, por meio da PGM, disse que aguarda a notificação oficial para avaliar os próximos passos.

O caso reacende o debate sobre os limites entre a exploração comercial e a preservação de espaços públicos tombados. Enquanto a investigação segue em andamento, a população acompanha com atenção os desdobramentos que podem impactar o futuro de um dos parques mais emblemáticos da cidade.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/mpsp-nega-pedido-da-prefeitura-de-parar-investigacao-sobre-ibirapuera

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